Testamos 5 negronis engarrafados

Drinque centenário, o negroni ganhou várias versões que já vêm prontas. Reunimos experts na bebida e testamos 5 negronis engarrafados, numa prova às cegas das 4 principais marcas – além de uma novidade testada esta semana. Confira!

fotos Shutterstock e Angelo Dal Bó





O drinque da moda passou pelo crivo de cinco especialistas (e fãs!) da bebida. Testamos 5 negronis engarrafados e os resultados foram surpreendentes! O negroni, um dos drinques mais clássicos da história da coquetelaria, acaba de comemorar seu centenário. A receita surgiu no Caffè Casoni Florença, na Itália, em 1919, quando o conde Camillo Negroni pediu para o barman Forsco Scarselli deixar mais forte o seu drinque preferido, o americano. Scarselli trocou o club soda da receita original por gim e adicionou uma fatia de laranja. O coquetel fez tanto sucesso na época que a família do conde logo tratou de fundar uma destilaria na cidade italiana de Treviso para produzir a bebida engarrafada com o nome de Antico Negroni. Após o sucesso inicial, o negroni acabou amargando décadas como um clássico pouco usual nas cartas de drinques, principalmente fora da Itália. Há dez anos, porém, pegou carona na onda de popularidade do gim, dos vermutes e dos bitters – seus três ingredientes. Hoje, é um dos coquetéis mais cortejados em bares e restaurantes mundo afora e até ganhou semanas temáticas em diversos países, as negroni weeks.

A receita é simples: 30 ml de gim, 30 ml de bitter e 30 ml de vermute rosso doce, tudo misturado e servido com gelo e uma casca de laranja. Mas o negroni vem ganhando diversas versões engarrafadas. São práticas – só precisa adicionar gelo e uma fatia de laranja no copo – e fáceis de encontrar, com variações de sabor, intensidade, cores e até garrafas, algumas tão bonitas que merecem de lugar destaque no bar da sua casa. A redação da Revista Azul promoveu uma degustação dos quatro principais negronis engarrafados para celebrar os 100 anos desse clássico. Chamamos especialistas e apaixonados pela bebida, que provaram os drinques sem saber a marca que estavam tomando. A prova foi realizada no Negroni Bar, em São Paulo, casa que, como o nome entrega, é especializada em servir receitas do coquetel. Confira a seguir a avaliação dos jurados, escolha sua marca preferida, prove em casa, com amigos, ou aproveite para presentear algum fã da bebida. Auguri!









N45

Os ingredientes do N45 (R$ 159, 1 litro) foram desenvolvidos pelo mixologista Cesar Griffo. O gim contém mais de dez botânicos, o bitter leva ervas, raízes e flores, e o vermute possui mais de 20 ervas. A bebida obtida após 45 combinações resultou num negroni denso e elegante. “Foi o que melhor se comportou na diluição do gelo”, afirma Larissa. “É mais doce, com presença marcante do vermute”, diz Felipe.





SEAGERS

A fabricante do primeiro gim brasileiro aproveitou o centenário para lançar sua versão pronta, o Negroni Seagers (R$ 75, 980 ml). A cor viva e mais rosada chama a atenção logo e cara. Na boca, a bebida é mais licorosa, menos alcoólica e pouco amarga. “É um bom drinque para quem ainda não está acostumado com os sabores mais intensos do negroni”, diz Marcelo. “A palavra que define esse negroni é ´inclusivo´”, define Larissa.





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CAMPARI

Marca mais famosa de bitter do mundo, a Campari saiu na frente na corrida dos engarrafados. Lançou seu Ricetta Originale (R$ 150, 700 ml), com vermute rosso e London dry gin, em 2017. O resultado agradou todos os participantes. “Senti toques de especiarias e achei o sabor mais rico”, afirmou Felipe. “Não parece engarrafado!”, analisa Larissa. “Este é mais complexo, bem equilibrado”, diz Kike.





BITTER & CO.

A produtora mineira Jungle Gin uniu-se com a Bitter&Co., marca de coquetéis engarrafados, e lançou em 2019 o Bitter&Co. Negroni (R$ 129, 750 ml) – já houve uma versão em lata com 269 ml (R$ 39), que voltará a ser produzida este mês. “Gostei da cor, bem âmbar, típica do negroni”, diz Kike. “Este é mais cítrico e menos doce”, percebe Larissa. “Também senti mais a laranja na composição, e um toque de ervas”, define Marcelo.





QUEM PARTICIPOU
Estes são os jurados que provaram o drinque sem saber a ordem das marcas servidas

Marcelo Katsuki
Jornalista e blogueiro da Folha de São Paulo

Kike Martins
Editor da revista 29 Horas

Junior Ferraro
Diretor de redação da revista Azul

Felipe Schermann
Empresário e sócio do Negroni Bar

Larissa Januário
Autora do blog Sem Medida e colunista da Marie Claire





foto Junior Ferraro

E uma novidade testada depois

NEGRONI REPOUSADO

O título diz que testamos 5 negronis engarrafados… e a quinta marca é esta novidade. Ela ainda não está nos mercados, mas já ganhou o boca-a-boca dos aficionados do drinque. O Negroni Repousado foi desenvolvido pelo bartender Henrique Medeiros quando chefiava o balcão do bar Ilha das Flores. “Alguns clientes sugeriram que eu engarrafasse esse negroni porque queriam ter em casa”, conta Henrique. Meses depois, com o fechamento dos bares pela pandemia, o bartender viu uma oportunidade de se dedicar totalmente a sua bebida. Depois de preparado, o negroni passa 60 dias repousando em cubas de vidro de 50 litros, antes de ser envasado. Henrique vende entre 100 e 150 garrafas por mês. O drinque impressiona pela cor, um rubi vivo e potente, e avança ainda mais no sabor e o aroma. Na boca, a primeira sensação é quase doce, seguida do amargor equilibrado do Campari e da intensidade do gim. O resultado é harmonioso e agradável. Pedidos no WhatsApp (11) 99420-5068. Cada unidade custa R$ 162, com frete incluso na cidade de São Paulo ou Sedex à parte para outros municípios e estados