São Paulo ganha o restaurante italiano Mila

O chef Pedro Pineda

O novo Mila, em São Paulo, traz culinária italiana livre de clichês, com receitas criativas e ótima seleção de vinhos, num ambiente alegre e despojado

fotos Lucas Terribili





Tradições gastronômicas existem para serem reverenciadas – e também quebradas. É bem na esquina desse paradoxo culinário que se encontra o Mila, recém-inaugurado restaurante no bairro paulistano Itaim Bibi. Inserida numa cidade repleta de cozinhas italianas, a casa pretende se destacar como um “osteria urbana provocadora”. Como se dizia nos antigos filmes de espionagem de Hollywood: missão cumprida. O Mila traz frescor ao menu, com receitas criativas e bem executadas, sem perder de vista a alma dos clássicos italianos.

A casa representa também um sonho de vida do restaurateur Tito Paolone (ex-Eataly e Grupo St Marché). “Eu queria que meu primeiro restaurante representasse minha origem , a cozinha em que fui acostumado a trabalhar e a comer. Um espaço livre de formalidades, com diversão e boa comida”, afirma Tito. O clima mais informal já começa no salão de paredes brancas, com forte iluminação natural e toques da paleta de cores do cineasta Pedro Almodóvar, com uma varanda no segundo piso e um acolhedor pergolado na área externa, com mesas na calçada.  













A releitura da tradição italiana é criada pelo chef Pedro Pineda (ex-Beverino), que traz receitas inovadoras e ingredientes fermentados, em um menu cheio de itens para dividir. A ideia é compartilhar ao máximo, para provar de tudo um pouco. Assim surgem os Bocatitos, entradas e acepipes que também podem compor um jantar completo. Como o camarão grelhado na manteiga e harissa; o steak tartare com stracciatella, melão fermentado e pão pita; o supli de polvo com queijo caccio cavalo; ou o frango frito, com pele crocante e um molho vinagrete chinkiang. Outra surpresa do chef são as pizzas “neonapolitanas”. Prove a pizza de frango desfiado com requeijão de corte e coentro, ou ainda a vegana de abobrinha, vinagrete e pesto de cavolo nero.

Se quiser pratos mais parrudos, invista nas massas frescas da casa, como o pappardelle com ragu branco de carne de porco e vaca, coalhada de ovelha e kimchi, ou o potente milanesa de angus com centro rosado, servido com salada e aioli. Vale finalizar a refeição com a torta de requeijão de corte, coalhada e coulis de amora ou o pastel recheado de doce de leite, marzipã de macadâmia e especiarias com calda de laranja-baía. A experiência, porém, será muito mais completa com os vinhos selecionados pela simpaticíssima sommeliére argentina Camila Ciganda, que busca rótulos com boa variedade de estilos, países e preços. A exemplo do argentino Projecto las Compuertas, de uva criolla chica, da Duriguitti, e o rosé espanhol Sonrojo, feito com garnacha pela vinícola La Calandria. Definitivamente, uma osteria pra chamar de sua.













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