Vendas on-line de vinhos aumentam 40% na pandemia

Alexandre Magno, diretor de e-commerce da Wine, analisa o sucesso da plataforma de vendas de vinhos on-line – a maior da América Latina – e revela alguns planos de expansão da empresa





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Alexandre Magno, diretor de e-commerce da Wine

Fundada em 2008, no Espírito Santo, a Wine tornou-se o maior e-commerce de vinhos da América Latina – e hoje possui o maior clube de vinhos do mundo, com mais de 150 mil associados. A pandemia do novo coronavírus não atrapalhou a ascensão da plataforma.

Ao contrário: desde o início do distanciamento social, a Wine registrou um aumento de quase 40% de vendas on-line. “A empresa está de vento em popa”, diz Alexandre Magno, diretor de e-commerce da Wine em uma live da Revista Azul. Leia aqui os destaques do bate-papo e confira a live na íntegra no IGTV do nosso Instagram.





Há quantos anos a Wine opera no Brasil?

A Wine é uma empresa brasileira, fundada em 2008, no Espírito Santo. Rogério Salume, sócio-fundador, percebeu que havia uma oportunidade de ser inovador nesse mercado. A venda de vinho on-line praticamente não existia. Ele foi ousado em investir em vinho no país da cerveja. Em 2009 iniciamos o Clube Wine e começamos a crescer mais rápido. Hoje somos o maior clube da bebida no mundo, com mais de 150 mil associados.





Como funciona o Clube Wine?

O sócio paga um valor fixo mensal e recebe todo mês a Wine Box, com duas garrafas, mais a revista da Wine e o corta-gotas, um mimo, que evita o desperdício. Entregamos os 3 C’s: comodidade, porque você recebe na sua casa; curadoria, porque os vinhos são selecionados pelos wine hunters, que viajam o mundo para escolher vinhos; e conteúdo, com a revista Wine, a maior publicação de vinhos do Brasil, com reportagens sobre os vinhos do Clube, harmonização e viagens.













Quais são as vantagens?

O sócio recebe sempre dois rótulos inéditos, que ainda não há no Brasil ou que foram fabricados exclusivamente para a Wine. Ele também ganha desconto de 15% nas compras avulsas do e-commerce, tem uma tabela de frete diferenciada; e ainda o programa de cashback WineUP, no aplicativo, em que o associado recebe até 3 vezes mais do que quem não é sócio.





Houve um aumento de vendas recente no e-commerce da Wine?

Sim, a gente cresceu cerca de 40% de vendas desde o início da pandemia. Os associados estão consumindo mais, ficam mais em casa, buscam mais entretenimento e estão descobrindo que o vinho combina com muita coisa, tanto com seu dia a dia quanto com a maratona de Netflix ou com o delivery que você pede. Mas também houve uma entrada grande de pessoas que não haviam comprado no nosso e-commerce antes e estão descobrindo suas facilidades. Passaram a ver a Wine como uma bela opção para se abastecer de vinhos.





Em maio vocês fizeram uma promoção zerando os impostos de mais de 600 produtos. Qual foi o resultado?

É o terceiro ano consecutivo que fazemos essa promoção, chamada Imposto Zero. Quando criamos, o objetivo era mostrar para as pessoas como a alta carga tributária no Brasil encarece o vinho. Como seria o preço do vinho que você consome hoje se não houvesse essa alta carga tributária? O imposto médio sobre o vinho no Brasil é de 30%. Retiramos o imposto de todos os rótulos do site. Começamos a campanha com cerca de 600 produtos. No primeiro dia já havia 200 esgotados. Este ano foram 6 dias de campanha, a melhor que já fizemos. Parte disso tem a ver com o momento, com as pessoas estarem consumindo mais vinho. Mas a empresa também se preparou para poder fazer um sucesso de campanha.





Como estão as importações, com a pandemia e o disparo do dólar?

A Wine trabalha com um esquema de estoques pequenos. Temos um abastecimento muito bom com nossos fornecedores internacionais. Portanto fazemos reposição com bastante frequência. Com isso, os produtos que estão chegando agora vieram com o dólar mais alto. Ainda não houve um repasse integral da moeda porque temos um estoque médio, com produtos que vieram com o câmbio de R$ 4, do início do ano, e outros que chegaram na taxa de R$ 5,60, em maio.





Às vezes o preço do vinho brasileiro não é tão competitivo. É uma questão de imposto?

Sim, o imposto aqui é alto. Nos países produtores tradicionais de vinho, como Espanha, França, Itália, Chile, na hora de tributar eles consideram o produto como alimento. E a tributação de alimento é muito menor do que que a de bebida alcoólica. No Brasil, o governo tributa o vinho como bebida alcoólica. Então o produtor brasileiro compete aqui com vinhos que tiveram imposto muito menor em seu país de origem. Às vezes o preço do brasileiro fica menos competitivo mesmo. Mas ainda tem opções muito boas de custo-benefício.





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Mudou muito a relação do brasileiro com o vinho?

Sem dúvidas. Por causa do isolamento social, há muita gente hoje considerando pela primeira vez o vinho como uma bebida do dia a dia. Gente que antes preferia tomar uma cerveja no bar com os amigos agora está descobrindo que tomar cerveja em casa sozinho não é tão legal. É muito mais interessante tomar um vinho.





Mas muita gente ainda tem dificuldade de escolher um vinho.
Acontece muito porque a pessoa está se iniciando e ainda tem medo. Eu acho que o clube, ou da Wine ou de outras empresas também, é sempre uma forma legal de você se iniciar no mundo do vinho. Como você vai receber todo mês vinhos de variados tipos e países, aos poucos vai entendendo qual sua uva preferida, de qual país produtor você gosta mais. Você vai formando seu gosto e tendo mais confiança na hora de comprar o produto.





Existe um tipo de vinho preferido pelo brasileiro?

Não tem uma uva específica. As que se destacam mais são as produzidas nos países aqui perto, como cabernet sauvignon, malbec, e carménère, esta especificamente do Chile. O vinho do Mercosul acaba tendo bastante entrada por causa do acordo de livre comércio, e os rótulos chegam aqui com uma relação custo-benefício melhor dos que o que vêm da Europa. O tinto continua sendo o vinho mais consumido no Brasil. Recentemente o rosé deu uma bombada e o consumo do vinho branco voltou a crescer, principalmente no verão. 





Vinho em lata é bom?

É muito bom! (risos). Trouxemos o vinho em lata em fevereiro, perto do carnaval e foi um sucesso. Muita gente acha é um vinho produzido especialmente para lata e não é. Trouxemos o Dark Horse, um vinho californiano produzido para garrafa e para lata. É o mesmo suco, o mesmo sabor, só que vem na lata. É uma proposta diferente, que traz mais comodidade e facilidade. Por exemplo, naquele dia que você vai para piscina ou para a praia, e não precisa levar taça, abridor.





Como está a Wine BH, espaço físico de vendas da empresa?

É um projeto que começou em outubro de 2019. É mais que uma loja de vinho. Abrimos a Wine BH com o propósito de ser um ponto de relacionamento dos nossos sócios. Mas você também pode apenas comprar um vinho e levar para casa. É um espaço totalmente integrado com o nosso site e nosso app. E está indo superbem. Estamos entregando pedidos por delivery e take out. No fim de maio, inauguramos a Wine Curitiba e temos um plano de expansão para abrir mais 5 ou 6 lojas até o fim do ano.













Qual tem sido o papel da Azul Cargo nas operações da Wine?

Superimportante. Durante essa pandemia, a Azul Cargo tem sido um parceiro muito bom. As outras companhias aéreas pararam de atender, porque tiveram muitos voos cancelados, e a Azul manteve o compromisso de continuar nos atendendo. Claro que adaptando à regularidade dos voos, à situação que estamos vivendo. Mas é muito importante. Nós vendemos para o Brasil inteiro. Como eu vou levar vinho para Manaus por rodoviários? É uma logística muito complicada. A Azul ajuda muito a gente para levar vinho para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, principalmente. Estamos muito felizes em continuar com a Azul Cargo como parceiro e queremos fortalecer isso daqui em diante.