Thales traz tecnologia e inovação a bordo

Gigante multinacional em controle do espaço aéreo e equipamentos de navegação, a Thales é responsável pela tecnologia de entretenimento a bordo dos aviões da Azul. A seguir, nossa conversa com Luciano Macaferri Rodrigues, diretor-geral da Thales no Brasil

por Felipe Seffrin | fotos Divulgação





Luciano Macaferri Rodrigues, diretor-geral da Thales no Brasil

Se você costuma voar com frequência, com certeza já viajou em alguma aeronave com sistemas, radares ou equipamentos da Thales. E se você voa raramente, também. A multinacional francesa está presente em 68 países, com mais de 83 mil funcionários, e há 50 anos atua no Brasil fornecendo a tecnologia mais avançada para as aeronaves que cruzam nosso espaço aéreo. Em 2019, o grupo, que atua com satélites, biometria, banking e cibersegurança, e que fornece o hardware e o software para o sistema de entretenimento dos aviões da Azul, registrou vendas de 19 bilhões de euros. Só no Brasil, a Thales triplicou suas receitas entre 2016 e 2020. Em entrevista à revista Azul, o diretor-geral da Thales no Brasil, Luciano Macaferri Rodrigues, conta mais sobre as áreas de atuação da companhia e os planos da empresa para o futuro. 





Como você avalia a parceria da Thales com a Azul?

A Azul é uma grande parceira e temos diversos desenvolvimentos em conjunto. Ela tem nossos sistemas embarcados nas aeronaves, como eletrônicos, aviônicos, sistemas elétricos e de comando de voo. E temos um foco muito grande em entretenimento. A Azul estende nossas casas para os aviões e oferecemos um sistema de entretenimento com mais de 40 canais de TV ao vivo, sintonizados toda vez que o avião passa por um satélite da SKY. Também trazemos vídeos on demand, com mais de 1,5 terabyte de conteúdo atualizado. Somos duas empresas que investem muito em inovação e olhamos juntos para o futuro.





Como é a atuação da Thales no segmento de radares e defesa?

Dois de cada três aviões no mundo pousam ou decolam com algum sistema da Thales. Temos mais de 130 radares em operação no Brasil, dos mais diversos tipos, como radares de aeroporto, de aproximação, de rota, radares secundários. São radares 100% desenvolvidos e mantidos aqui. Em agosto de 2020, inauguramos com a Força Aérea Brasileira (FAB) uma estação de radares, em Corumbá (MS), para monitorar voos ilegais a baixas alturas nas regiões de fronteiras. Então trabalhamos para que todo o espaço aéreo brasileiro esteja coberto. Hoje, 75% do mercado nacional de radares é nosso.













Em que outras áreas a Thales atua?

O primeiro segmento é o de aeroespaço. Trabalhamos com suporte ao voo, radares de controle, sistemas de tráfego aéreo e entretenimento. Outra área é a de espaço, com satélites e serviços. Além disso trabalhamos com defesa e segurança, atendendo todas as Forças Armadas do País. Também trabalhamos no mercado de transportes, com sistemas para vagões de trem, por exemplo. E outro mercado em que somos líderes mundiais é em segurança e identidade digital: transações bancárias, sistemas de telefonia, biometria, cibersegurança, Internet das Coisas. Essa segmentação nos dá saúde financeira para termos um crescimento sustentável. De 2016 a 2020, nossa receita cresceu quase três vezes no País.





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Como a Thales enfrentou as turbulências da pandemia?

Tivemos que fazer muitas adaptações, sempre com duas premissas: garantir a segurança dos nossos colaboradores e manter nossos compromissos com os clientes. E o grande desafio foi fazer essas duas coisas casarem. Colocamos nossos quatro escritórios em home office e implementamos diversos protocolos de segurança nas fábricas. Os negócios aeronáuticos deram uma parada, alguns contratos foram postergados, mas aproveitamos os aviões em solo para fazer atualizações em todos os sistemas. Aí entra nossa diversificação: crescemos muito no setor digital, de banking, telecomunicações e cibersegurança. Fechamos o ano cumprindo nossas metas financeiras acima do que prevíamos antes da pandemia. 













Quais os planos para 2021?

Nosso avião manteve o voo de cruzeiro e isso vai se refletir em 2021. Em março vamos inaugurar um novo prédio em São Bernardo do Campo [na Grande São Paulo] com um novo centro de serviços aviônicos. E acreditamos que o mercado da aviação civil irá se recuperar. Estamos otimistas. Estamos há 50 anos no Brasil e já passamos por várias crises, mas seguimos trabalhando na ampliação da empresa, investindo em novas tecnologias, como na Internet das Coisas (IoT). Inauguramos um Design Center e seguimos desenvolvendo produtos inovadores para os mercados nacional e internacional. Nos próximos quatro ou cinco anos, queremos dobrar de tamanho mais uma vez.





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