Muito mais que farmácia

CEO do Grupo DPSP, que reúne as drogarias Pacheco e São Paulo, Jonas Laurindvicius detalha os planos ambiciosos de democratizar a saúde no País por meio de uma nova plataforma digital 

Por Felipe Seffrin | fotos Divulgação





Jonas Laurindvicius, CEO do Grupo DPSP

O executivo Jonas Laurindvicius, presidente do Grupo DPSP, empolga-se ao falar sobre as ambições da empresa que reúne cerca de 1.400 lojas das Drogarias Pacheco e da Drogaria São Paulo. Com a aquisição da startup TI Saúde e investimentos da ordem de R$ 450 milhões em inovação em 2022, o grupo quer democratizar a saúde no País. “Temos mais de vinte milhões de clientes, de todas as classes sociais e queremos atender todos de forma democrática, com uma ferramenta que facilite a vida de todos, de ponta a ponta”, explica.

O novo sistema digital Viva Saúde já possui mais de 16 mil médicos cadastrados e possibilita, em uma única plataforma, marcar e realizar consultas (presenciais e digitais), agendar exames e comprar medicamentos — tudo personalizado de acordo com capacidade financeira de cada cliente. A meta ambiciosa é conectar 10 milhões de pacientes a 150 mil médicos nos próximos cinco anos, alcançando gradativamente os 75% da população brasileira que não têm planos de saúde. 

Além das ações no digital, a gestão de Jonas, que assumiu a presidência do grupo em julho de 2021, busca ampliar os serviços nas lojas físicas, tendo sempre o cliente no centro. Só no ano passado, foram investidos R$ 350 milhões em modernização, aprimoramento de lojas e centros de distribuição. Como resultado, o grupo cresceu 13% no último ano, com faturamento de cerca de R$ 12 bilhões. “Estamos colhendo os frutos, experimentando um último trimestre muito expressivo, com os melhores resultados da história do grupo”, comemora.





O que levou o GPSP a investir na aquisição da TI Saúde?

Nós batizamos internamente esse projeto de “democratização da saúde no Brasil”. Temos mais de vinte milhões de clientes, de todas as classes sociais e queremos atender todos de uma forma democrática, com uma ferramenta que facilite a vida do paciente. Então estamos lançando um sistema de saúde end to end. Por meio do nosso programa Viva Saúde será possível ter à disposição uma rede que já tem 16 mil médicos cadastrados, escolher se quer a consulta física ou digital, classificar os especialistas para encontrar opções adequadas para o seu bolso, tudo integrado. 





A ideia é ser um marketplace de saúde, com consultas, exames e venda de medicamentos? 

Exatamente. Será uma plataforma de fácil acesso pelo celular ou computador, ajustada às necessidades de todos. Depois de escolher o preço, o meio e a especialidade, o paciente faz a consulta e então poderá agendar exames nos laboratórios dentro da própria ferramenta. Se optar por outro laboratório, poderá subir os exames dentro do nosso sistema para compartilhar com o médico. Se houver necessidade de medicamentos, ele pode consultar disponibilidade, preços, condições de pagamento e entrega. E vamos poder acompanhar esse tratamento, avisando quando o remédio está no fim e se ele precisa comprar novamente. A gente vai cuidar da saúde dos nossos pacientes de maneira totalmente completa. 





Como foi a negociação para essa aquisição?

Quando fechamos o acordo com os desenvolvedores dessa plataforma, um médico, um advogado e um gênio da informática que vêm lá de Recife, os 3 choraram. Quando eu comentei com eles sobre a nossa preocupação de democratizar a saúde e o bem-estar no País, eles me falaram: “Finalmente encontramos uma empresa que quer olhar para a saúde das pessoas em todo o Brasil, incluindo as pessoas de baixa renda.” E é realmente isso: queremos proporcionar uma condição melhor de saúde para o povo brasileiro.













 Quais os desafios dentro do varejo farmacêutico? 

O ramo farma é muito competitivo e o grande desafio é fidelizar os clientes. Porque, entre comprar um medicamento conhecido nas grandes redes ou nas farmácias independentes, a decisão ainda está muito associada ao preço ou à localização. Então, buscamos é entender o que podemos fazer de diferente. Nosso cliente está no centro de todas as atenções e, uma vez que ele está no centro, queremos ofertar algo além do varejo de medicamentos ligado a preços e promoções. 





Quais são os pilares da sua gestão, que em julho completa um ano?

Os primeiros são estes: o cliente no centro e foco na parte de serviços. Depois, onde atuamos fortemente, é sermos uma autoridade em produtos. Isso significa ter à disposição todo um sortimento para os nossos clientes — e com omnicanalidade. Se não tiver na loja física vai ter no aplicativo; se comprou pelo aplicativo, pode retirar na loja física, se tiver urgência, pode optar pela entrega expressa. Outro pilar é a eficiência, no sentido de termos lojas cada vez mais produtivas. Isso demanda muito treinamento e muita capacitação para a nossa equipe de 26 mil pessoas em mais de 1.400 lojas.  





Existe também um resgate dos valores farmacêuticos?

Sim. Tem tecnologia, tem inovação, mas uma coisa superimportante é resgatar os valores farmacêuticos de uma drogaria. É olhar no olho do cliente e mostrar que ele pode contar com os nossos serviços de maneira atenciosa. Os fundadores das Drogarias Pacheco e da Drogaria São Paulo eram farmacêuticos, então esse cuidado está na nossa essência. Queremos mostrar uma cara acolhedora, sermos marcas que estão de fato interessadas em ajudar o cliente.





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De que forma vocês aplicam essa essência na prática?

Quando a variante Ômicron chegou mais forte ao Brasil, por exemplo, nós quebramos todos os paradigmas. Em geral, é preciso agendar para fazer os testes, mas nós decidimos atender todos os clientes que chegavam às lojas preocupados, porque estavam com sintomas ou porque iriam visitar a família. Nós atendemos. E por isso fizemos 60% mais testes que todo o mercado farma. Nós demos um recado bem claro para os nossos clientes: você está no centro. 





Qual foi uma das suas primeiras ações quando você assumiu a presidência do grupo?

Eu comprei um quadro branco e comecei a escrever lá as ações que deveriam ser feitas para a virada do Grupo DPSP. “Ah, mas o grupo já é lucrativo, já é conhecido, está consolidado no mercado…” Mas sempre tem algo a mais para fazermos, né? Eu sou o cara do copo meio vazio. Como é que a gente consegue encher esse copo? Aí o quadro ficou cheio de frases, situações, ações. Uma delas era engajar todas as lideranças para esse objetivo de virada. E agora estamos colhendo os frutos, experimentando um último trimestre muito expressivo, com os melhores resultados da história do grupo.  





Como é o seu dia a dia no comando do grupo?

Meu dia a dia é retrato das minhas crenças. E eu acredito em entrar cedo pra trabalhar. Às 7h30 da manhã já estou no escritório vendo os números de vendas e nossos indicadores principais. É chegar cedo pra trabalhar e ser muito produtivo, saber priorizar os temas. Porque muita gente faz uma extensão de jornada como eu, mas acaba tendo pouca produtividade na solução das questões. Para isso é preciso evitar julgamentos, estar em constante aprendizado, tomar decisões baseadas em dados e fatos e saber ouvir as pessoas.













De que forma a pandemia afetou o ramo farma economicamente?

Apesar de as farmácias serem um serviço essencial que não parou, a pandemia mudou a necessidade dos consumidores e muitas dessas mudanças vêm em definitivo. O home office, por exemplo, é definitivo. Ou seja, se você tinha lojas em grandes centros de escritórios, o fluxo mudou. A Avenida Paulista, por exemplo, não tem mais trânsito! (risos) Não existe mais a necessidade de todo mundo alocado lá. E isso mexe com as farmácias e com os resultados econômicos porque não podemos ficar trocando as farmácias de endereço a toda hora.  





Que outras mudanças você percebeu no seu cliente?

Mudou muito o tipo de produto buscado e os hábitos de consumo. Antes existia um apelo muito forte de beleza. As pessoas saíam mais, e só agora isso está voltando, gradativamente. Mas a cesta continua mudando: uma hora são vitaminas, outra hora é prevenção. Nossa estratégia é enxergar esses cenários, nos adaptarmos a eles e tentar, de certa forma, prever o futuro, que ainda está incerto, para oferecermos o que o nosso cliente precisa. 





Quais as ações do grupo em sustentabilidade?

Nós fomos a primeira empresa a coletar pilhas e baterias. Hoje, também temos totens para recolhimento de medicamentos vencidos, produtos descartáveis, embalagens. Toda a nossa frota roda com biodiesel e em breve vamos inaugurar a primeira farmácia ecológica do País. Temos ainda um projeto que já começou em Minas Gerais e, nos próximos três anos, todas as nossas lojas serão abastecidas por energia solar. Aliado a isso, temos ações muito importantes de diversidade e inclusão, além de muitas iniciativas desde assistencialismo, de carreta itinerante de doação de sangue até medição de pressão gratuita nas praças. 





Como é a farmácia do futuro?

A farmácia do futuro é um centro de atendimento que, por acaso, tem medicamentos. O que realmente importa é ser um local onde o consumidor encontre a solução, e não um problema. Porque quem vai à farmácia tem um problema de saúde. Só é gostoso ir para comprar um xampu, uma escova de dentes. Então, essa farmácia do futuro está interessada na cura, e não só em vender medicamentos com desconto. A farmácia do futuro cuida do meio ambiente e das pessoas. Essa é a nossa missão: ser um centro de soluções ligadas à saúde de todos. 









Grupo DPSP em números





R$12 bilhões

de faturamento em 2021

R$ 800 milhões

em investimentos nos últimos dois anos

400%

de crescimento nos canais digitais em 2021

1393

lojas no total (867 Drogarias São Paulo e 526 Drogarias Pacheco)





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