Embelleze cresce com vendas diretas

Referência em produtos para cabelos há mais de 50 anos, a Embelleze cresce com vendas diretas e diversifica seu portfólio com itens de perfumaria, maquiagens e até chás 

 por Bruno Segadilha | fotos Shutterstock e Divulgação





A cantora Jojo Todynho, nova embaixadora da Embelleze

Quando assinou o contrato da Kalu Produtos de Beleza, em 8 de março de 1969, o empresário Itamar Serpa Fernandes não podia imaginar, mas estava diante do que seria uma feliz coincidência em futuro bem próximo. Exatamente um ano depois, a data foi escolhida como o Dia Internacional da Mulher. Nada mais apropriado para uma empresa que nasceu focada na beleza feminina. Mas esse foi só o primeiro de muitos acertos que ainda viriam. 

Formado em química, Itamar criou uma fórmula para cabelos crespos que, diferentemente dos que eram vendidos até então, não danificava os fios e atingia resultados bem mais naturais, o alisante Henê. Foi um sucesso quase instantâneo. A novidade caiu no gosto popular e passou a ocupar lugar de destaque nas gôndolas de lojas, farmácias e supermercados do País. 

De lá para cá, a rota de crescimento foi constante. Rebatizada como Embelleze nos anos 1990, a companhia conta hoje com 800 itens em seu portfólio, já expandiu seus negócios para 30 países e representa 7,1% do mercado de produtos para cabelos no Brasil. Para reforçar a marca e torná-la ainda mais conhecida no Brasil, Itamar fundou, em 1998, o Instituto Embelleze, que conta com mais de 7 mil colaboradores e 350 franquias com cursos de cabeleireiro, manicure, depilação e barbeiro. “Estudamos o comportamento da mulher brasileira desde o começo da marca. Foi assim que descobrimos que o segredo do nosso mercado é a diversidade”, afirma Itamar, que, além de fundador, ocupa o cargo de CEO da empresa.

No começo de 2019 a companhia deu mais um passo importante na sua história, ao investir em uma divisão dedicada às vendas diretas. “Esta é uma modalidade muito importante no mundo todo, porque as pessoas gostam do contato olho no olho, de alguém explicando o produto para elas. Prateleira de loja não vende, não fala. Ao contrário de uma pessoa que conhece aquilo que está vendendo, que se entusiasma”, afirma Marcel Szajubok, um dos sócios da marca e CEO da Embelleze Venda Direta. Marcel explica que, com o novo braço, a empresa começou a diversificar seu portfólio. Enquanto produtos para cabelos, como Novex, Natucor e Maxton, continuam fazendo sucesso no varejo, itens de perfumaria, maquiagem e até chás emagrecedores são alguns dos trunfos das cerca de 50 mil revendedoras. 













O número expressivo de colaboradores, o executivo explica, é um reflexo da crise econômica causada pela pandemia. Segundo ele, muita gente que perdeu o emprego viu na marca uma saída para pagar as contas. Porém, no lugar do atendimento de porta em porta, entraram as plataformas digitais. “Agora tudo é feito de clique em clique. É possível anunciar os produtos em redes sociais ou criar um site próprio no nosso portal e ganhar a comissão do que vender, sem precisar manter estoque em casa nem gastar com entrega. Nós nos encarregamos disso. Essa é uma das nossas formas de ajudar em um momento tão difícil: dando oportunidades.”





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E chances no mercado de beleza e cuidados pessoais não faltaram, nem mesmo em um ano difícil como o de 2020. Enquanto vários setores amargaram números descendentes nos últimos meses, a Embelleze fechou o ano com um faturamento de R$ 1 bilhão. “As pessoas não deixam de usar desodorante, de lavar os cabelos, nem de usar álcool em gel, que começamos a fabricar no ano passado, com a pandemia.” Mas o segredo não é apenas esse, defende o executivo. Ele acredita que a qualidade dos produtos da marca e os preços mais acessíveis ajudaram a impulsionar as vendas. “A brasileira é vaidosa, gosta de se maquiar, de estar perfumada e com os cabelos bonitos, mas nem sempre pode pagar tão caro, quer preços justos. Por isso nós procuramos tornar a beleza acessível a todos.”













A previsão para este ano continua otimista. A marca pretende consolidar suas vendas diretas e dobrar este setor de tamanho, tanto na faturamento quanto em relação ao número de vendedoras. “Não estamos motivados apenas pela questão econômica. Queremos ajudar a fazer um mundo melhor, cuidar da sociedade com oportunidades de trabalho”, diz. Outro desafio é continuar investindo em inovação e diversificando os negócios e canais. Além da divisão comandada por Marcel, a companhia inaugurou, em 2019, seu e-commerce. O resultado foi surpreendente: em um ano as vendas on-line cresceram 20%. “Procuramos lançar itens diferentes todo mês, estamos sempre pensando em novidades. Quem não inova acaba sendo engolido.”