Diretor da Fini no Brasil diz: o futuro é doce

Donizeti Ferreira, diretor-geral da Fini no Brasil, fala das estratégias da marca, líder no segmento de doces e balas à base de gelatina, para retomar o crescimento de dois dígitos ao ano

por Felipe Seffrin | fotos Raphael Criscuolo, Anna Carolina Negri e Divulgação





Donizeti Ferreira, diretor-geral da Fini no Brasil

Duro com os problemas e doce com as pessoas. Este é um dos lemas da Fini, uma das maiores empresas de guloseimas do mundo. Fundada em 1971, a companhia escolheu o Brasil para instalar sua única fábrica fora da Espanha, em 2001, e não parou de crescer por aqui. Essa história de sucesso viveu seu primeiro momento agridoce em 2019. Depois de crescer dois dígitos todos os anos, a Fini viu seus números oscilarem para baixo. Líder no segmento de balas à base de gelatina, com 90% do mercado nacional, a Fini decidiu virar o jogo. Passou por uma profunda reorganização de processos e de gestão, iniciou a ampliação do parque industrial em Jundiaí (SP), preparou mais de 40 lançamentos e manteve o crescimento sólido e permanente, mesmo com a pandemia.

À frente desse movimento está o diretor-geral da companhia, Donizeti Ferreira, há 14 anos na empresa. “2019 serviu para olharmos para dentro de casa, para a organização, e trabalharmos em performance e competitividade. Reorganizamos muita coisa para recuperarmos o patamar de crescimento acima de dois dígitos. E em 2020, mesmo diante do momento desafiador que vivemos, não paramos”, conta, na sala de reuniões da empresa, onde há bandejas de diferentes guloseimas à vontade em cada canto. 

Donizeti chegou à empresa em 2007, quando a Fini ainda dava os primeiros passos no Brasil. Diretor-geral desde 2018, ele acompanha todas as áreas em total sintonia com a família Sánchez Cano, em sua terceira geração no segmento de balas e doces _ incluindo os famosos aviõezinhos feitos exclusivamente para a Azul. “Trabalhei em várias multinacionais e nunca vi uma relação tão leve como a nossa”, afirma. Com aval da matriz, a empresa está prestes a dobrar sua fábrica para 43 mil m² de área produtiva, entrou no segmento de franquias, ampliou a atuação para gomas com vitaminas e até ômega 3 e investiu R$ 70 milhões no desenvolvimento de uma linha de suplementação alimentar à base de gelatina, a Dr. Good.





Qual é o momento atual da Fini?

Temos dado continuidade ao planejado para 2021 e acompanhado, a retomada econômica do País, fazendo ajustes de rotas quando necessário. Seguimos com as expectativas de crescimento, com expansão (novas franquias) e capilaridade de distribuição, bem como lançamentos de produtos e, dessa forma, os resultados vão ao encontro do projetado. Estamos redirecionando esforços com foco em atingir as metas definidas anteriormente à pandemia. Nesse sentido, os planos de ações são assertivos e estamos fazendo a empresa alcançar esses objetivos, reforçando ainda mais nossa marca e nossa liderança como referência em qualidade e inovação no mercado nacional.





Em que etapa está a expansão da fábrica em Jundiaí?

Passamos o tamanho de 23.000 m² para 40.000 m² e nossa previsão de início no novo espaço é junho de 2021. Ainda temos a perspectiva de expandir nosso armazém nos próximos anos. 













Como a pandemia afetou a empresa?

Nosso foco principal foi garantir que todos os nossos colaboradores estivessem seguros nesse período, implementando novas medidas e protocolos de segurança. Nos negócios, seguimos com estratégias e buscamos oportunidades. Mesmo diante do momento desafiador que vivemos por aqui, não paramos. Nos últimos meses tivemos lançamentos importantes, desenvolvemos ações em nosso e-commerce, implantamos o sistema delivery para as franquias, criamos uma série de medidas de suporte aos franqueados, desenvolvemos uma campanha institucional com conteúdos criativos e interativos para nossos consumidores. 





Vocês já atendem América do Sul e África do Sul. Há planos de expansão para outros países?

Nossa marca está cada vez mais internacionalizada. Algumas tecnologias que o Brasil desenvolveu não estão na nossa matriz, na Espanha, e vice-versa. O momento agora não é de olharmos quem atende quem, mas o que cada um, Brasil e Espanha, pode oferecer ao mundo. Nossas filiais na América do Sul recebem produtos da Espanha e vamos começar a exportar algumas categorias que lançamos no Brasil para a própria Espanha. É uma troca de produtos e inovações bem interessante.





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Vocês recentemente entraram no segmento de suplementação alimentar mento com base de gelatina. Como tem sido o retorno do mercado?

Estamos indo bem com a Doctor Good, nova marca de suplementação, que não existe na Espanha. Ainda há todo um processo de conhecimento da marca pelo consumidor, pelas farmácias. Estamos nesse trabalho de construção da distribuição, mas já percebemos uma boa aceitação do público. O segmento de suplementos vitamínicos em gomas não é desenvolvido no Brasil, mas é muito forte nos Estados Unidos. Tendo a tecnologia-base, a gente tem que sair na frente e criar hábitos de consumo.





A Fini também oferece balas com ômega 3, colágeno…

Temos uma régua da atuação da Fini no mercado. Em 2012 percebemos que precisávamos oferecer algo além da guloseima no mercado. Foi quando surgiu a linha Natural Sweets, que hoje chamamos de Bem-Estar. Há balas com vitaminas, fibras, colágeno, ômega 3. É para poder comer uma guloseima sem culpa.





Hoje a Fini conversa muito mais com o público jovem do que com o infantil. Por quê?

Percebemos que a empresa precisava crescer junto com o seu consumidor. Mudamos a nossa comunicação e hoje nosso maior público é o jovem. E esse consumidor vai continuar comprando Fini daqui a dez anos porque estamos evoluindo também.













Por que a Fini resolveu apostar no modelo de franquias?

Foi uma forma que encontramos para conectar o consumidor com a marca. É importante como negócio, deixa rentabilidade para a gente e para o franqueado. Mas, acima de tudo, é um elo entre a marca e o consumidor. Lá ele tem experiências, produtos exclusivos. É como se estivesse conversando com a organização. 





Como vocês encaram a concorrência no mercado de guloseimas?

A Fini é pioneira na tecnologia da bala de gelatina. E nos preparamos ao longo dos anos para a chegada de concorrentes. Há três anos isso se intensificou com novos entrantes, mas estávamos preparados. Na Espanha, onde está a nossa matriz, são cerca de 30 fabricantes… Por isso estamos sempre buscando inovações. Concorrência sempre vai existir, e acho que há espaço para todo mundo no mercado. O que a gente quer é se manter na liderança por meio da inovação, da satisfação e do encantamento.





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Que desafios você superou ao longo desses 14 anos na Fini?

Entrei em 2007 como gerente financeiro em uma empresa que estava há apenas cinco anos no Brasil. Minha chegada foi para olhar o lado administrativo, adaptar processos e estabelecer uma cultura sólida, única, robusta e agradável. Foi bastante trabalhoso. Tivemos que tropicalizar a tecnologia da Espanha para o Brasil, organizar processos de gestão. E transformamos a Fini em uma referência no mercado de guloseimas, além de lutarmos incansavelmente para sermos uma das melhores empresas para se trabalhar. Nosso lema é “duro com os problemas e doce com as pessoas”. Ver o quanto conquistamos me deixa realizado e extremamente feliz.













Conte um pouco mais sobre a parConte parceria com a Azul, das balas em forceria formato de aviõezinhos, retomada em mato novembro de 2019. 

No passado a Fini olhava muito pouco para esse assunto, pois tinha muito a se desenvolver no mercado. Em 2012 nossa equipe de marketing pensou em fazer algo diferente e levamos adiante essa parceria. Ela vai além de levar nossos produtos para os voos da Azul: internamente nos proporciona uma conexão sentimental e uma empatia que nem consigo explicar. Tivemos um intervalo nessa história, mas em 2019 retomamos a parceria e o anúncio foi um dia de festa na empresa, como se tivéssemos ganhado umtítulo. A Azul despertou na gente uma paixão por fazer bem feito e atingir situações inesperadas. 









Fini em números

180 mil

pontos de venda da marca estão espalhados no País 

79

é a quantidade de quiosques franqueados

1.400

pessoas fazem parte do quadro de funcionários da Fini