Criadores da Zerezes falam sobre o sucesso de seus óculos de grau

Hugo Galindo, Luiz Eduardo Rocha e Rodrigo Latini apostam em inovação para criar armações bonitas e cheias de estilo e revolucionar o mercado brasileiro

por Felipe Seffrin | fotos Divulgação





Enquanto diversos serviços buscam se digitalizar cada vez mais, um setor ainda insiste em se manter “analógico” no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Ópticas (Abióptica), o mercado de óculos movimenta cerca de R$ 20 bilhões por ano no País. Estima-se que apenas 1% das vendas aconteça em canais digitais, enquanto a esmagadora maioria ainda ocorre em pontos físicos. É aí que entra a Zerezes, marca independente que completa dez anos em 2022 e que quer mudar o jeito como compramos óculos de grau.

Da esq. para a dir., os sócios Hugo Galindo, Luiz Eduardo Rocha e Rodrigo Latini

Tudo começou de forma peculiar. Estudantes de design de produto na PUC-RJ, Hugo Galindo e Luiz Eduardo Rocha percorriam as ruas do Rio de Janeiro revirando caçambas em busca de materiais reaproveitáveis para transformar em óculos. “O negócio começou conosco catando pedaços de taco na rua e cortando na oficina da universidade”, lembra Hugo, fundador e diretor criativo da Zerezes. “Era eu sentadinho com uma serra, lixando, dominando a madeira e buscando entender como transformar em óculos aquele material que iria para o lixo.” Além dessa pegada sustentável, a dupla investiu em criatividade e inovação, para entregar produtos de qualidade a um preço justo. Em 2012, quando foi fundada, a Zerezes já surgiu com e-commerce próprio. A partir de 2016, com a chegada do CEO Rodrigo Latini, a marca apostou na abertura de lojas próprias, com a experiência do consumidor no Centro. 

“Quando entramos no comércio de óculos de grau, entendíamos bem pouco do setor. Era muita complexidade e pouca transparência”, conta Hugo. A receita encontrada para “descascar o abacaxi” do setor de óculos no Brasil, como os sócios brincam, foi cortar o máximo de intermediários para simplificar os processos e a conta. Enquanto concorrentes dividem os custos — e lucros — entre fábrica, marca, distribuidor e ótica, a Zerezes vende da fábrica para o cliente, e assim entrega produtos de qualidade a partir de R$ 395 com a lente incluída. 

“Achamos essa característica [de muitos intermediários] predatória e começamos a pensar em soluções”, destaca Rodrigo. “Conseguimos nos consolidar no mercado extrapolando nosso status de uma marca de óculos legal para uma empresa que quer transformar o setor ótico no Brasil.” O resultado é prático. Em 2021, a Zerezes dobrou seu faturamento em relação ao ano anterior, ultrapassando os R$ 23 milhões. E o objetivo é dobrar o faturamento mais uma vez em 2022, em uma estratégia que une novas lojas físicas e crescimento no mercado digital.

Inaugurada no primeiro semestre de 2021, a primeira loja da marca em São Paulo, na Rua Haddock Lobo, no bairro Jardins, fez tanto sucesso que registrou longas filas na entrada em vários fins de semana seguidos. A marca encerrou o ano com sete lojas, incluindo mais uma em São Paulo, em Pinheiros. E para 2022 planeja abrir outras sete lojas próprias, consolidando-se com o consumidor paulistano e expandindo para novas capitais, como Belo Horizonte, Brasília e Recife. Não ter franquias é outra estratégia para manter os preços acessíveis.

Simultaneamente ao investimento em locais físicos, a Zerezes quer expandir sua atuação on-line e no mercado ótico digital brasileiro como um todo, inspirada em marcas estadunidenses bem-sucedidas, como a Warby Parker. O objetivo é provar que é possível, sim, comprar óculos de grau na internet. “Queremos oferecer uma experiência muito mais gostosa, retirando complexidades, aquele ambiente frio das óticas”, destaca Rodrigo. 













No site da Zerezes, ferramentas como um provador virtual acessível em poucos cliques transformam a tela do computador ou do celular em um espelho para que o usuário tire um exemplar 3D do seu rosto e “prove” mais de 50 amostras do portfólio da marca. Ainda é possível escolher quatro amostras diferentes para receber em casa, testar no conforto do lar e só então decidir pela armação favorita, sem custos de frete e retirada. O envio de receitas para a fabricação das lentes de grau também é facilitado, para descomplicar o processo.

“A gente quer mostrar que é possível comprar óculos on-line. E para que isso seja simples e prazeroso estamos entendendo as principais dores do consumidor”, destaca Rodrigo, lembrando que o brasileiro já é “extremamente digitalizado” e uma das principais audiências de plataformas de streaming e de redes sociais, por exemplo.





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Com investimento em tecnologia e comunicação, o objetivo da Zerezes é mexer nas estruturas do mercado e ampliar as vendas de óculos on-line no Brasil, atualmente em 1%, para até 5% em cinco anos. “Quando alteramos as práticas do mercado, negando toda a complexidade dos laboratórios de lentes, reduzimos a complexidade para o consumidor. E quando reduzimos nossa margem de lucro, construímos a possibilidade de um preço justo e mudamos todo um setor”, exalta Hugo, animado com a pequena revolução que, aos poucos, a Zerezes vem provocando no mercado de óculos de grau no Brasil. 

Outra característica da empresa é a sustentabilidade, presente desde aquele começo dos fundadores, buscando materiais em caçambas. A Zerezes trabalha com armações sustentáveis, feitas de acetato e serragem reciclados, e já lançou até uma coleção com canudos plásticos reciclados. Aliado a isso, a marca carioca doa 10% do lucro anual para a ONG Renovatio e, em 2021, forneceu óculos com lentes de correção para aproximadamente 8 mil brasileiros com problemas de visão. “Nossa ideia é realmente essa: transformar o setor”, afirma Hugo. “Queremos mudar a forma como as pessoas se relacionam com as óticas e como compram óculos. E isso é sensacional!”

zerezes.com.br