Conheça a história da Cobasi

Inaugurada em 1985, a Cobasi revolucionou o mercado de pets no Brasil ao investir em grandes lojas e conquistar os clientes com mimos para seus bichos de estimação





por Bruno Segadilha | fotos Divulgação





Outubro de 1985. Depois um tempo trabalhando em fazenda, o empresário Rame Nassar, que por 20 anos havia tocado o pequeno mercado da família, decidiu que era hora de voltar ao comércio. Diferentemente do que tinha feito durante duas décadas, ele queria vender itens agrícolas. Surgia o primeiro endereço da Cobasi, inaugurada na Vila Leopoldina, em São Paulo. Comandada pelos filhos Ricardo, hoje diretor de operações, João, diretor de novos negócios, e Paulo Nassar, atual CEO da empresa, a loja vendia produtos como rações, sementes, adubos, itens para selaria e defensivos. A ideia do negócio era ótima, as coisas pareciam ir bem, mas os Nassar não contavam com uma das piores crises financeiras que o País já havia enfrentado, com sucessivos congelamentos de preços e trocas de moeda. “Isso impactou demais o nosso negócio, já começamos atravessando uma crise”, diz Paulo. Era preciso pensar em uma saída rápida para não naufragar e a solução foi investir no mercado pet.

Tinha tudo para dar errado. O brasileiro ainda criava seus mascotes no quintal de casa, sem mimos nem muitos adereços. Ração? Nem pensar. Cães e gatos comiam os restos do almoço e do jantar. Ainda assim, Paulo bancou a ideia. “Tinha viajado para outros países e visto que esse mercado só fazia crescer. As primeiras marcas de ração para cães e gatos estavam chegando aqui porque já tinham percebido esse potencial. Em pouco tempo a gente ia seguir a tendência mundial e começar a olhar com mais cuidado e zelo para os nossos animais de estimação”, lembra Paulo. Em 1996, os irmãos investiram em uma grande reforma na loja, assinaram acordos para revender produtos importados, como coleiras, peitorais, caminhas, rações, e passaram a comercializar também produtos de jardinagem. Transformaram a Cobasi em uma espécie de shopping, onde os tutores resolviam todos os assuntos relacionados aos seus bichos, incluindo uma farmácia veterinária, e ainda compravam coisas para o quintal.





Paulo Nassar, CEO da Cobasi

A ideia não poderia ser mais acertada. O sucesso foi tanto que, três anos depois, os Nassar inauguraram o segundo endereço da Cobasi, no bairro do Morumbi, e não pararam mais. Hoje, a rede está em 11 estados, com 120 lojas, e faturou, no ano passado, R$ 1,6 bilhão. A previsão é que, até o final deste ano, essa cifra chegue a R$ 2 bilhões. “Nós acabamos criando uma demanda que não existia. O cliente ia à nossa loja e encontrava um monte de itens importados. Coisas que ele nem imaginava que existiam. Eram produtos que facilitavam a vida dele, que davam mais qualidade de vida ao pet… Aquilo começou a fazer parte da vida dos dois.”

Até o final do ano devem ser inauguradas mais 35 lojas em outros cinco estados, a exemplo de Tocantins e Mato Grosso. “Franquias são inviáveis nesse modelo de negócio porque cada loja requer um investimento muito alto. É uma megastore. Além disso, é difícil controlar o franqueado. Nós somos muito zelosos com o que fazemos, porque nos consideramos mediadores de afeto. O cliente tem preguiça de sair para fazer compras de mercado, mas vem à Cobasi com prazer, porque sabe que vai ser um momento gostoso ao lado do seu pet, que vai ser bem tratado, vai conversar com nossos vendedores.” Entre as peculiaridades de cada região, Paulo destaca que, no Sul e no Sudeste, as vendas de caminhas, cobertores e roupinhas é maior, graças às temperaturas mais baixas. Já no Norte e Nordeste, as rações e itens relacionados à nutrição animal ficam em primeiro lugar.





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Paulo só admitiu deixar de lado a gestão familiar durante a reestruturação do negócio para atuar no mercado on-line, em 2017. Para tocar a operação do e-commerce chamou a Omni 55, que reúne veteranos do varejo, e passou a gerenciar a política de preços, seleção de produtos, contratos com parceiros e entrega ao consumidor. Entre as novidades estão a compra pela internet para retirada nas lojas em até 45 minutos e o ship from store, que transforma as lojas em pequenos centros de distribuição, com custos menores de frete e logística.

A plataforma digital, aliás, tem sido um porto seguro durante a pandemia. Entre os meses de março e abril de 2020, por exemplo, a Cobasi precisou fechar as lojas que fi cavam dentro de shoppings. As de rua permaneceram abertas – pet shops são considerados serviço essencial – mas, ainda assim, os clientes continuaram com receio de sair de casa. “Começamos a pensar nas vendas digitais bem antes dessa crise toda, avaliando que essa era uma forma de acelerar o nosso negócio. Estávamos certos. O e-commerce acabou sendo muito importante para nós nesse momento delicado”. Paulo explica que a meta, nos próximos anos, é continuar investindo na transformação digital, o que incluiu a compra da Pet Anjo, plataforma que conecta tutores a profissionais e serviços como cuidadores e hospedagem de animais. De resto, o empresário garante que o grande trunfo da Cobasi é a paixão da família pelo negócio. “Eu e meus irmãos nascemos em chão de loja. Mas não só. Nós amamos animais, somos pais de pet. Então, temos a visão de donos e de quem vivencia esse universo diariamente. O que é diferente de sermos apenas executivos”, diz Paulo, mencionando com o orgulho a fi lha peluda, uma Yorkshire de 2 anos.





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Cobasi em números

R$ 1,6 bilhão

foi o faturamento da Cobasi em 2020.
A previsão é que, até o fim de 2021, o valor
chegue a R$ 2 bilhões.

5 mil

é o número de funcionários da
empresa, que atualmente possui
lojas espalhadas em 11 estados do País.

120

unidades hoje; até o final do ano serão
mais 35, em mais cinco estados, entre
eles Mato Grosso e Tocantins.