Usaflex quer triplicar sua receita até 2023

Conheça a história da Usaflex, que após se consolidar como líder no mercado de sapatos de conforto, agora mira consumidores mais jovens e traça um plano de expansão ousado: triplicar sua receita até 2023 

por Giovanna Forcioni | fotos Divulgação





Sérgio Bocayuva, sócio e CEO da Usaflex

Foi preciso uma viagem até a Itália para que o empresário gaúcho Juersi Lauck tivesse a ideia que mudaria o rumo dos seus negócios no Brasil. Dono da Palmer, uma pequena fábrica de sapatos em Igrejinha (RS), foi à Europa nos anos 1990 para pesquisar novas tendências do mercado calçadista. Voltou para casa cheio de ideias e uma missão desafiadora na bagagem: transformar a até então pequena marca gaúcha em referência quando o assunto é sapatos confortáveis. 

Já naquela época ele teve faro apurado para perceber que só um design moderno não bastava. Era preciso algo mais se quisesse ganhar espaço de verdade no mercado. A palavra que estava na cabeça (e nos pés) dos europeus era uma só: conforto. E foi justamente aí que Juersi apostou todas as suas fichas. 

De volta para casa, aos poucos, o empresário remodelou a estrutura, o objetivo e até o nome do seu negócio. Deu certo. Mesmo estando distante dos grandes centros, com uma sede numa cidade de 37 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul, a agora Usaflex cresceu e conquistou a liderança do segmento. 

Foram anos desenvolvendo tecnologias para chegar lá. Com o tempo, vieram linhas de calçados para diabéticos, peças pensadas exclusivamente para quem tem joanete… e o rótulo de “sapato de vovó”. Junto com o sucesso de vendas, ganharam a fama de que a Usaflex seria sinônimo de terceira idade. 





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Hoje, um dos muitos objetivos da marca é deixar esse estereótipo para trás. Em 2016, a Usaflex foi comprada pelo fundo de investimentos Axxon e, desde então, segue um novo plano estratégico de crescimento. Sob a liderança do agora sócio e CEO Sérgio Bocayuva, que já esteve à frente de marcas como Mundo Verde e Embelleze, a empresa já começa a se reposicionar no mercado. 

Os clientes com mais de 50 anos ainda representam 55% do público, mas a meta é conquistar também uma nova geração de consumidores. “O conforto é uma tendência mundial que veio para ficar e que, com a pandemia, os jovens estão valorizando cada vez mais. Grandes marcas de moda ainda têm dificuldade de aliar design, estilo e conforto. Saímos na frente porque já dominamos as tecnologias para fazer isso”, explica Sérgio. 

Novo conceito das lojas franqueadas

O investimento pesado em marketing e comunicação tem sido fundamental nessa nova fase. Em 2016 a marca injetou R$3 milhões em publicidade. Três anos depois, esse número saltou para R$13 milhões e os planos são de quase quadruplicar esse valor nos próximos quatro anos. Em 2020, por exemplo, pela primeira vez, a marca anunciou no Big Brother Brasil, um dos mais famosos reality shows do País, e, segundo Sérgio, colheu os resultados com uma “explosão de vendas”. 

Diversificar os canais de distribuição também tem sido uma grande aposta. Antes o foco da Usaflex estavam nas lojas multimarcas e fidelizadas. Com mais de 7 mil pontos de venda parceiros, representavam 91,5% da receita em 2016. O segredo para mudar esses números tem sido investir no setor de franchising. Hoje, já são 240 franquias responsáveis por trazer mais de 37% da receita do negócio. A meta é chegar a 430 nos próximos dois anos. “Quase não tínhamos controle de como o produto era exposto para o cliente. No programa de franquias, agora conseguimos controlar e padronizar toda a experiência de compra”, conta o CEO. 

Entender e acompanhar de perto o comportamento dos consumidores se tornou ainda mais fundamental desde o começo do ano passado. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a produção do setor caiu 25% em 2020. Com a crise econômica causada pela pandemia e a diminuição do fluxo de caixa das lojas físicas, a expansão dos canais digitais da marca foi inevitável. 













Até 2019 a receita vinda do e-commerce representava 1,2% do negócio. De lá para cá, pouco mais de um ano depois, esse número já é seis vezes maior. “Já sabemos que provavelmente em 2021 ainda ficaremos com os resultados abaixo dos que tivemos em 2019. Os canais digitais cresceram muito, mas ainda não o suficiente para compensar as perdas de faturamento que tivemos nos últimos meses”, diz. 





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Segundo Bocayuva, a pandemia atrasou, mas não acabou com o sonho de levar a empresa a patamares mais altos. A Usaflex já começou a abrir lojas licenciadas fora do País – hoje são mais de 15, com planos de inaugurar pelo menos outras 85 nos próximos três anos. Até lá, a meta também é alcançar R$1 bilhão de receita anual para, finalmente, conseguir abrir o capital da empresa na Bolsa de Valores. “A gente entende que no fim de tudo isso vamos sair muito mais fortalecidos. Estamos transformando a marca e vamos continuar trabalhando nisso, sem perder de vista nosso pilar principal que é o conforto. Não existe nenhuma crise que seja intransponível.”





Usaflex em números

2.684

funcionários trabalhavam para a marca em 2019

436

é o número de franquias que a Usaflex pretende alcançar em 2025

52 mil

pessoas acessam o e-commerce da marca diariamente 

até 25 mil

pares de sapatos são produzidos por dia pela empresa

R$1 bilhão

é a meta de receita da Usaflex para 2023