CEO da SKY Brasil fala dos desafios na crise

Estanislau Bassols, CEO da SKY Brasil, fala dos desafios da crise e da necessidade de inovar em um mundo cada vez mais digital

por Felipe Seffrin  |  retrato Marcus Steinmeyer   |  fotos Divulgação





Em janeiro de 2019, quando assumiu o posto de CEO da Sky Brasil, Estanislau Bassols viu-se diante de um desafio e tanto. Ele tinha nas mãos uma empresa que, apesar de ser a maior operadora de TV por assinatura via satélite do País, precisava encarar de frente as evoluções tecnológicas. Ainda mais em um mundo com várias plataformas de streaming e em um país onde o número de smartphones já ultrapassa a quantidade da população, com cerca de 230 milhões de aparelhos ativos. Em março deste ano um novo elemento agitou ainda mais este mercado: a pandemia da Covid-19. Nesta entrevista, o CEO da SKY Brasil fala dos desafios na crise, que exigiu dele ações rápidas para proteger os colaboradores de companhia, driblar o momento de crise e democratizar o acesso à informação e ao entretenimento. “Desde o início do isolamento no Brasil, liberamos mais de 90 canais para os nossos clientes”, diz. 





Estanislau Bassols na sede da Sky em São Paulo

Esse cenário frenético, no entanto, nunca assustou Estanislau. O executivo, que no passado liderou a expansão do Grupo VR no Brasil, encara as mudanças com naturalidade. Ele defende que inovação e adaptação fazem parte do DNA da empresa, que tem mais de 4,7 milhões de assinantes espalhados em quase todos os municípios do País, além dos milhares de Clientes que assistem diariamente à TV ao vivo nos voos da Azul. “Tecnologia e inovação são coisas do nosso dia a dia. A SKY enxerga o cliente como um elemento central. Ele tem uma vida digital que precisa ser atendida em todas as possibilidades”, afirma Bassols.





Acompanhando as transformações digitais, a SKY lançou em 2018 a sua própria plataforma para celulares, o SKY Play, com 30 canais ao vivo e mais de 7 mil vídeos on demand. “Eu mesmo, pela falta de tempo, assisto SKY muito mais pelo celular que pela televisão. Isso já é algo normal no nosso dia a dia”, destaca o CEO.

A chegada de concorrentes no segmento de streaming, como Netflix, Amazon Prime, HBO Go e até GloboPlay, também não o assusta. Pelo contrário: motiva a SKY a oferecer cada vez mais entretenimento e informação. “O streaming é um formato relevante. Eu o vejo mais como algo complementar do que algo que vá gerar uma competição. Meu filho, por exemplo, é apaixonado por futebol. Ele não vai encontrar o jogo do time dele ao vivo nessas plataformas”, diz. 





Qual é o momento atual da SKY Brasil?

A SKY chega hoje a mais de 4 milhões e meio de lares. É líder absoluta no segmento de TV por satélite e vem expandindo seu campo de atuação já há alguns anos, em meio a uma transformação digital da empresa. Em 2018, lançamos o SKY Play, plataforma para celulares que possibilita que o cliente leve a TV para onde quiser. Hoje, as pessoas conseguem assistir a SKY tanto em casa, quanto no celular ou no computador, na hora que quiserem, com conteúdo ao vivo e vídeo on demand.





De que forma a pandemia afetou as operações no País?

A maioria dos nossos colaboradores têm trabalhado de casa desde o dia 16 de março. Compromissos comerciais, viagens, estão provisoriamente cancelados e as reuniões estão sendo conduzidas remotamente. No SAC, estabelecemos um protocolo de prevenção que assegura a proteção dos colaboradores. Além disso, temos priorizado os atendimentos em canais digitais. 





Vocês já identificaram alguma mudança nos hábitos do consumidor?

De acordo com pesquisa recente do Kantar Ibope Media, em março, os brasileiros passaram cerca de oito horas por dia em frente da TV, o que representa um aumento de 20% comparado ao período antes do isolamento social. 





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O que a Sky tem feito para ajudar as pessoas a seguir as recomendações de ficar em casa?

Acreditamos que algumas iniciativas, como a abertura de sinal de mais de 90 canais, o lançamento de títulos antecipados na nossa plataforma de vídeo on demand, o SKY Play, e a transmissão de grandes lives, como o One World: Together at Home, no canal do cliente, são de extrema relevância nesse processo. 





Você chegou à SKY recentemente, após ser CEO do Grupo VR. Como foi essa transição?

Quando comecei no Grupo VR, a empresa estava entrando no mercado e conquistando clientes de uma forma digital e inovadora, com fundadores visionários. Eles queriam uma companhia diferente das demais. Quando vim para a SKY, encontrei boa parte desses elementos: um produto que oferece qualidade de entretenimento alta, de formas cada vez mais inovadoras. 





Qual o maior diferencial da SKY enquanto empresa?

Uma coisa muito bacana na SKY é a democratização da informação. Somos provavelmente a única empresa privada que chega a todos os municípios do Brasil. Atendemos desde pessoas de alta renda até aqueles que conseguem pagar mês sim, mês não, por meio do produto pré-pago. Da pessoa que quer assistir em casa, com a família, até quem quer assiste sozinho, no celular. 

Gisele Bündchen em uma das campanhas da empresa 




De que maneira a oferta cada vez maior de serviços de streaming impacta no negócio?

O streaming é um formato relevante. Eu o vejo mais como algo complementar do que algo que vá gerar uma competição. Meu filho, por exemplo, é apaixonado por futebol. Ele não vai encontrar o jogo do time dele ao vivo nessas plataformas. 





Então qual o maior desafio na atualidade?

A grande competição que a gente tem é a pirataria. É uma disputa difícil, complexa e sofisticada, que o Brasil tem que enfrentar de forma mais direta. Hoje, é possível comprar na internet caixas piratas de streaming com canais de TV paga, tanto do Brasil quanto do exterior. Isso é uma ameaça para a indústria. O uso ilegal de conteúdo atrapalha quem produz conteúdo, engana o consumidor e alimenta o crime organizado. 





Quem é o consumidor da SKY?

É um consumidor ávido por programação ao vivo, por vídeos on demand, por notícias e esportes, por séries e filmes. Ele busca no vídeo uma diversão mais completa e mais plena, em qualquer aparelho. E, com todo o lado de democratização do acesso, eu não consigo mais diferenciar por classe social, por região do País, por centro urbano ou campo. 





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Você já teve alguma experiência como consumidor da SKY que te surpreendeu?

Minha filha estava fazendo uma festa do pijama em casa e queria ver um filme que tinha acabado de sair dos cinemas. Ela foi para as plataformas normais de streaming e não achava o filme, obviamente. Eu, que ainda estava no escritório, fui olhar o catálogo da SKY e a gente tinha. Consegui gravar o filme com um comando e ela conseguiu assistir em casa com as amigas. Quando cheguei, ela estava muito feliz e orgulhosa. Para mim foi uma experiência “uau”. 





Conteúdo da SKY dentro da Azul

Como você avalia a parceria da SKY com a Azul, levando a programação para as aeronaves?

Sou cliente Azul. Viajei muitas e muitas vezes. Minha visão é que a Azul agrega comodidade, diferenciação e uma expansão em cobertura geografia ao longo desses anos que está presente no Brasil. O serviço poderia ser igual ao de qualquer outra aérea, mas ela faz com que não seja. Quando vejo esses elementos e comparo com a vocação da SKY, percebo que temos muito em comum. A parceria levando conteúdo da SKY dentro da Azul é um sucesso e estamos muito contentes. As duas empresas se conversam de uma maneira muito autêntica.





Qual é o futuro da SKY?

Sempre vamos ser uma empresa que proporciona diversão e comodidade para as pessoas. Vejo que isso vai transcender qualquer tipo de formato e tecnologia. Há alguns anos estaríamos falando de satélites, depois veio o HD, o streaming. Os próximos formatos vão ser cada vez mais fluidos e a SKY vai acompanhar esses formatos, seguindo com o compromisso de levar diversão de qualidade, de forma democrática, para todo o Brasil.