Banrisul amplia investimentos em tecnologia

Cláudio Coutinho, presidente do Banrisul

Cláudio Coutinho, presidente do Banrisul, fala da ampliação dos investimentos em tecnologia e inovação do banco gaúcho

por Felipe Seffrin | fotos Divulgação





Poucos setores se transformaram tanto e tão rápido nos últimos anos. Impulsionados por um mundo cada vez mais digital, tendência reforçada pela pandemia, bancos e instituições financeiras promovem uma revolução na forma como nos relacionamos com nosso dinheiro. À frente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, o Banrisul, Cláudio Coutinho celebra essa transformação. “No primeiro trimestre de 2021, 67% das transações que fizemos foram por meios digitais”, destaca o presidente da instituição . Com investimentos recentes na ordem de R$ 340 milhões em modernização tecnológica, infraestrutura e segurança da informação, o banco busca novas soluções que atendam e antecipem as necessidades de 4 milhões de clientes. E os resultados, mesmo em um cenário de instabilidade econômica, são expressivos: lucro líquido ajustado de R$ 824,8 milhões em 2020 e projeções positivas para 2021.





Como o Banrisul encarou os desafios causados pela pandemia?

A pandemia, em um primeiro momento, foi muito desafiadora. Lembro que no dia 16 de março de 2020 nos reunimos e tomamos diversas providências de contingência diante de uma situação totalmente inusitada. Decidimos cancelar todas as viagens, reuniões presenciais, participações em cursos e seminários. Colocamos todos os colaboradores de grupo de risco em casa. Imagine um banco com 9 mil funcionários que, em 48h, passou a ter 5 mil deles em home office. No nosso prédio da direção-geral, no centro de Porto Alegre, por exemplo, de 3 mil pessoas, 2,7 mil passaram a trabalhar de casa. Ao mesmo tempo, contratamos o Hospital Moinhos de Vento, que é um centro de referência e excelência no Rio Grande do Sul, e criamos diversos protocolos de saúde e segurança, pensando nos colaboradores e nos clientes.





De que maneira a pandemia do novo coronavírus impactou na relação com os clientes do Banrisul?

Tínhamos 4 milhões de clientes, cada um com seu caso, querendo respostas e resultados. Criamos toda uma sistematização e linhas de repactuação de crédito em diferentes categorias, como créditos mobiliário, consignado, agrícola. Nosso pessoal de aplicativos trabalhou incansavelmente para atendermos os clientes de forma digital de maneira instantânea, em poucos segundos, na tela do celular. E é notável essa intensa digitalização dos nossos clientes. No primeiro trimestre de 2021, tivemos 97 milhões de acessos em smartphones e computadores e 67% das transações que o banco fez foram por meios digitais. Os meios digitais estão mesmo prevalecendo: registramos um crescimento de 20% de utilização na base, nossos clientes estão aprendendo mais e mais a usar os meios digitais.





Quais são os principais investimentos do Banrisul em inovação?

Atualmente temos um quadro total de 9 mil colaboradores e 10% são de TI (Tecnologia da Informação). Nosso time de TI é muito bom, sempre ganhou diversos prêmios. Realmente está à frente do tempo. Fizemos um investimento recente de R$ 340 milhões em tecnologia, hardware e software. E, para além de todo o esforço interno de transformação digital, temos uma área de squads para solucionarmos problemas de forma rápida e completa. Também investimos em um hub de inovação chamado BanriTech, que é uma iniciativa em parceria com o Tecnopuc (Parque Científico e Tecnológico da PUC-RS) para a aceleração de startups voltadas para o segmento financeiro, para desenvolvermos e nos aproximarmos desses empreendedores. 





LEIA TAMBÉM: Hotelaria em novos tempos





Além da importância do Banrisul para a economia do estado do Rio Grande do Sul, quais ações o banco desenvolve na área social? 

Eu cheguei ao Banrisul em 2019 e ainda hoje me impressiono com a quantidade de projetos que o banco apoia. São cerca de 50 projetos
diferentes, como clubes de tênis para dar aulas para crianças em comunidades de risco, construções de asilos e casas de repouso, patrocínios esportivos, como o time de basquete de Caxias do Sul. Também temos uma atuação grande em agricultura
familiar, doando sementes que já beneficiaram milhares de famílias. E destaco um apoio financeiro a hospitais filantrópicos e a universidades, além do nosso programa de financiamento estudantil. 





Como você enxerga o banco do futuro?

Temos uma agenda de inovações do Banco Central que é um projeto muito ambicioso. Entramos com o PIX, planejamos entrar com nova central de recebíveis e temos uma grande quantidade de desenvolvimento de novos sistemas. Aquela situação de ter que ir ao caixa do banco sacar dinheiro é coisa do passado. Hoje você pega o celular e faz um PIX. Os bancos estão se transformando muito. Eu vejo uma convergência de bussiness, um grande marketplace que tem tudo no mesmo lugar. Tudo on-line. O físico vai diminuir tremendamente. Vejo também o papel do banco de forma muito integrada. Temos políticas socioambientais, de compromisso climático. Ao mesmo tempo que empresto dinheiro, investigo se o beneficiário tem práticas sociais e de governança adequadas, respeita os trabalhadores. Tudo isso deve convergir para uma plataforma única.





Banrisul em números

R$ 824,8 milhões de lucro líquido ajustado em 2020

R$ 8,6 bilhões de patrimônio líquido

4 milhões de clientes

9 mil funcionários

92 anos de atividades

R$ 340 milhões investidos em modernização tecnológica, infraestrutura e segurança da informação