A transformação da Cultura Inglesa

Marcos Noll Barboza, CEO da Cultura Inglesa

CEO da Cultura Inglesa, o gaúcho Marcos Noll Barboza lidera uma empresa quase centenária com a dupla missão de zelar pela tradição da marca e acelerar transformações de ensino 

por Felipe Seffrin | fotos Divulgação





Quando a pandemia começou, a Cultura Inglesa teve de levar 90 mil alunos do presencial para o 100% on-line em pouquíssimos dias, de forma um tanto improvisada. Mas isso acelerou diversas transformações que estavam por vir. Reconhecida pela tradição de 87 anos no ensino da língua inglesa no Brasil, a empresa fundada na década de 30 abraçou o digital, criou sua própria plataforma de aprendizagem e apostou em novos segmentos, como soluções bilíngues para escolas. O modelo híbrido veio para ficar. 

À frente dessa modernização está Marcos Noll Barboza, executivo gaúcho que assumiu o cargo de CEO da Cultura Inglesa em maio de 2019. Com a experiência de quem passou 15 anos em diferentes posições de comando no setor de mídia no Grupo RBS, além de ter sido CEO da HSM Educação, diretor-executivo da Estácio e sócio na Azul Educação, Marcos se mostra mais do que à vontade com sua missão. “Sou um executivo voltado para a transformação, não sou de tocar um negócio como ele sempre foi”, afirma. 

Em entrevista à Azul, Marcos reforça os valores da Cultura Inglesa, detalha as transformações já implementadas e dá mostras do que está por vir. “Antes da pandemia já víamos na Cultura Inglesa a necessidade de acelerar esse processo de transformação. Com a pandemia, então, o pé foi fundo no acelerador”, analisa. “São muitos os desafios, muitas as incertezas, mas é isso que eu gosto de fazer. Gosto de estar em um ambiente volátil, com um projeto de transformação.” 





Qual foi a sua principal missão quando assumiu a CI?

Eu assumi a Cultura Inglesa em 2019 com um duplo objetivo. O primeiro era preservar esse legado de mais de 85 anos de história e de tradição. E o outro era modernizar a organização e levar a Cultura Inglesa para outros segmentos de atuação. Isso significa fortalecer os processos e produtos, dos cursos ao atendimento, e modernizar também a empresa do ponto de vista organizacional, com um mindset mais digital, mais moderno e empreendedor. 





Você tinha todos esses objetivos e logo veio a pandemia. Quais foram os impactos imediatos?

Na verdade, a pandemia acelerou alguns processos. Nos trouxe desafios adicionais, sem dúvida alguma. Mas também nos jogou mais para frente nesse processo de transformação e de modernização. Até março de 2020, por exemplo, tínhamos uma operação 100% presencial em São Paulo e em outros estados. Em apenas três semanas, fizemos uma transposição para o modelo remoto, com aulas on-line ao vivo. Foi um grande desafio levar 4,5 mil turmas de alunos do presencial para o remoto. 





Houve uma quebra grande nessa transição para o digital?

Em 2020 teve, de fato, alunos que não quiseram experimentar o modelo remoto ou não se adaptaram. Mas esses alunos começaram a voltar em 2021, com a reabertura de algumas filiais. Hoje eu acredito que muitos vão continuar no modelo remoto, especialmente os adultos. Porque existe uma conveniência muito grande nesse modelo. É o mesmo professor da Cultura Inglesa no computador, com dias e horários marcados, sem precisar de deslocamento, trânsito, atrasos. O remoto veio para ficar, sem dúvida nenhuma. 





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A pandemia acelerou outras transformações?

Criamos nossa secretaria virtual e passamos a atender os alunos por meio de nossas equipes de secretaria em home office. Além disso, entramos em novos segmentos, como o de soluções bilíngues para escolas. Digitalizamos nossos produtos e nossas formas de atendimento, fizemos a aquisição da Cultura Rio, que era uma Cultura Inglesa independente, e agora estamos voltando para o escritório, mas seguimos no modelo híbrido.





Como foi o processo de unificação da empresa?

A Cultura Inglesa começou na década de 30 com uma unidade no Rio e outra independente, em São Paulo. Ao longo das décadas, as duas Culturas foram crescendo e entrando em outros estados. Então, nós começamos a enxergar que seria um passo natural essa unificação das operações, para termos uma atuação digital integrada, ganharmos mais escala, podermos ser um player maior e digital de verdade. 





Como você vê o mercado brasileiro de ensino de línguas?

É muito competitivo e não é regulado. Não tem barreira de entrada. Temos desde players internacionais no segmento on-line a players de atuação nacional ou mais regional, por meio de redes de franquias. E agora temos uma infinidade de outros concorrentes, como podcasts de aula de inglês, aulas no YouTube, aplicativos de aula de inglês. 





Qual o diferencial da Cultura Inglesa nesse contexto?

A força da nossa marca, nossa tradição e confiabilidade são atributos muito importantes. As pessoas confiam na Cultura Inglesa por sua tradição. Outro destaque é que temos os melhores professores de inglês do Brasil, sem nenhum demérito às outras redes. Investimos muito no desenvolvimento dos professores e temos uma grande capacidade de atração dos melhores profissionais do País. Também investimos muito em tecnologia.





O que você pensa da ideia de que é fácil e rápido aprender inglês?

A verdade é que não é fácil aprender inglês. Nem rápido. Vemos todo tipo de ofertas e promessas que não se sustentam. Somos bem claros quanto a isso. Quando alguém escolhe a Cultura Inglesa faz uma escolha pelo resultado. Não vai ser de um dia para o outro, mas ela tem a segurança de que, se estudar e se dedicar, vai aprender inglês — e vai aprender bem. 





Menos de 5% dos brasileiros falam inglês. Por quê?

Isso se deve a várias razões. A primeira delas é histórica, e não mudamos isso de um ano para o outro, talvez nem de uma década para a outra. O Brasil sempre foi um país mais isolado [linguisticamente] se compararmos com os demais. Outra questão mais estrutural é que aprender um idioma demanda disciplina e tem muita gente no mercado que cria ilusões. Daí muitas pessoas se frustram por não aprender. Mas o Brasil tem todas as condições de ampliar esses índices com o tempo.













De que maneira a cultura é importante na jornada de aprendizagem de uma língua?

Não ensinamos apenas o inglês ferramental, como saber falar, ler e escrever. Aumentamos o repertório dos nossos alunos. Temos um aspecto cultural muito grande, que está no nosso nome, no nosso DNA. Temos grupos de teatro com alunos que criam peças em inglês, grupos de coral e uma série de atividades complementares que desenvolvem o repertório cultural dos alunos. 





Como é a atuação social da CI?

Temos um papel de impacto social por meio da educação. Trabalhamos com muitas entidades sociais e, em parceria, oferecemos bolsas de estudo integrais beneficiando milhares de alunos. Em 2019, por exemplo, abrimos uma filial em Paraisópolis (comunidade na Zona Sul de São Paulo) para atender 100% de alunos bolsistas. Imagine o poder de propagação desses jovens, com a possibilidade de eles terem uma carreira internacional, de trabalhar, por exemplo, com uma empresa do Vale do Silício? 





Pessoalmente, como é estar à frente da Cultura Inglesa?

Tenho um senso de responsabilidade muito grande por estar à frente de uma instituição quase centenária, com um legado, uma excelência acadêmica e uma relação de confiança com o mercado. Também sei que para uma empresa realmente se tornar centenária precisa superar o paradoxo de preservar a sua essência ou estar se reinventando. A gente tem um projeto voltado para a transformação. Essa é a minha principal missão aqui. 





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O que lhe motiva nessa missão?

Sou um executivo voltado para a transformação, não sou de tocar o negócio como ele sempre foi. Tenho vários cases de recuperação financeira de empresas, de aquisição de novos negócios, de transformação organizacional, de crescimento acelerado. Essa é a minha trajetória, a minha experiência profissional, o que me motiva e o que realmente gosto de fazer. 





Como foi o cenário encontrado por você para essas transformações?

Encontrei um ambiente interno muito favorável para isso, e não uma organização agarrada a paradigmas, na zona de conforto. Encontrei um ambiente muito favorável no conselho de administração, com os executivos e no time como um todo, nos professores, todos motivados por novas oportunidades.





O que podemos projetar para o futuro da Cultura Inglesa?

Devemos ampliar bastante nossas ofertas para escolas regulares, com soluções bilíngues. Isso está indo muito bem e tem tudo para avançar. Também queremos oferecer programas de educação complementar (After School) para os alunos ficarem mais tempo nas nossas unidades, no período da tarde ou da manhã, aprendendo inglês e várias coisas em inglês. Também estamos repensando nossas filiais, ressignificando elas para que haja vários espaços de aprendizagem. 





A ideia é dobrar a aposta no modelo híbrido?

Exatamente. Queremos que cada unidade vá além da sala de aula, com uma nova concepção de centro de ensino. Devemos ampliar bastante as atividades assíncronas, complementando o que é ensinado em sala de aula. E, como empresa, olhamos muito para a expansão, mas sem querer abraçar o mundo. É seguir no caminho da transformação, em diversos segmentos. Temos muita novidade pela frente. 









Cultura Inglesa em números





90 mil

alunos

145

unidades

87 anos

de atuação