A fantástica fábrica de chocolate da Cacau Show

Conheça a história da Cacau Show, a fantástica fábrica de chocolate criada pelo empresário paulistano Alexandre Costa na pequena cozinha de uma amiga, que se transformou na maior rede de chocolates finos do mundo

por Bruno Segadilha | fotos Divulgação





O empresário Alexandre Costa

Tudo começou a partir de um pequeno engano. O ano era 1988 e Alexandre Costa, na época um adolescente de 17 anos, decidiu retomar a venda de chocolates dos pais. Anos antes, os comerciantes tinham desistido do doce por dificuldades logísticas na venda, mas o jovem Alexandre achava que aquele mercado ainda podia render. Com a lista de contatos deles, realizou um feito e tanto: conseguiu um pedido de 2 mil ovos de Páscoa de 50 g. Só faltou avisar ao cliente que não produzia aquele tamanho de ovo. Sem o produto e com uma enorme encomenda para honrar, Alexandre encontrou ajuda nas mãos de Cleusa Trentin, doceira com experiência na iguaria. E os dois trabalharam três dias para dar conta do pedido. “Comecei com um investimento de 500 dólares, que peguei emprestado com meu tio. Minha mãe, Dona Vilma, sempre foi empreendedora e trabalhou com venda direta, então essa sempre foi a minha inspiração e a minha referência de vida”, lembra o empresário. A empreitada gerou um lucro de US$ 500, que Alexandre decidiu reinvestir. Nascia, assim, a Cacau Show. Hoje, a maior rede de chocolates finos do mundo. 

A expansão foi rápida desde o começo. Da cozinha de Dona Cleusa, no bairro da Casa Verde, em São Paulo, Alexandre se mudou para um espaço na empresa dos pais, onde fabricava chocolates por catálogo e saía para vender em um fusca branco 78. As iguarias fizeram sucesso e, em poucos anos, começaram a chamar a atenção de redes varejistas. Ali ele viu que era hora de se aperfeiçoar. Embarcou para a Bélgica em 1996, onde foi aprendeu técnicas de produção de chocolate. Dois anos depois, a Cacau Show bateu recorde de vendas na Páscoa impulsionada pelo contrato com a antiga loja de departamentos Mappin. “Encontrei uma oportunidade em um nicho de mercado que ainda não tínhamos naquela época, o de chocolates refinados, mas com preços democráticos”, diz Alexandre.













O negócio estava indo tão bem que um casal que revendia seus chocolates teve problemas de espaço para armazenamento em casa. O empresário viu que, de novo, era hora e dar um salto. Alugou um ponto, que se tornou a primeira loja da marca, inaugurada em 2001, em Piracicaba, no interior de São Paulo. Cinco anos depois, abriu uma fábrica em Itapevi, a 40 quilômetros da capital paulista. A aposta deu certo. Hoje são três unidades fabris – duas em Itapevi (SP) e uma em Campos do Jordão –, 2.300 franquias no País e 241 lojas próprias. 





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Um dos segredos do sucesso, Alexandre diz, é entender o gosto do consumidor brasileiro, bastante peculiar, segundo ele. “Uma característica forte do consumidor brasileiro é a preferência por chocolates mais ao leite e cremosos. Por isso uma das nossas linhas favoritas do público é a LaCreme”. O outro ponto é manter a variedade e inovar sempre. Não à toa, a marca conta com mais de 200 itens em sua linha de produtos, desde bombons e barras de chocolate até panetones e sorvetes. 

A trajetória vitoriosa, no entanto, não livrou a Cacau Show dos impactos da crise econômica causada pela pandemia. Foram três meses de fábricas e lojas fechadas e mais de mil funcionários demitidos. A solução foi apostar no e-commerce, canal que tinha baixa representatividade antes, e rever o modelo de negócio. As vendas diárias no comércio eletrônico passaram de 40 para 6 mil. “A pandemia começou na Páscoa, um dos períodos mais importantes do ano para a Cacau Show. Com o fechamento de todas as lojas, tivemos um grande impacto nas vendas. Migramos para o comércio on-line, um canal que não era muito explorado pelos clientes. Mas, por causa de a marca ser tão querida por nossos consumidores, continuamos com um alto número de vendas.” 













O grande volume de pedidos on-line traz também enormes desafios logísticos, que incluem o transporte para as diferentes regiões do País. “Sofremos grandes impactos logísticos devido à alta demanda de pedidos a partir do e-commerce que não tínhamos antes da pandemia. Acredito que o maior desafio sempre vai ser entregar no menor tempo possível, os produtos em lugares mais distantes do Brasil, uma vez que nosso principal centro de distribuição fica em São Paulo”, diz Alexandre. 





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Apesar do ano turbulento, o empresário continua otimista. Ele pretende fechar 2021 com uma receita de R$ 3,9 bilhões, atingir a marca de 2.800 mil lojas no Brasil e investir no mercado internacional. “Passamos por turbulências sempre, mas nenhuma que fosse o suficiente para abalar as estruturas da Cacau Show, porém sempre importantes para o crescimento da marca e de todos aqueles que sempre cresceram com ela”, afirma. 





Cacau Show em números

R$ 3,5 Bilhões

foi o faturamento da empresa em 2019 

20 mil

toneladas de chocolates são produzidas pela Cacau Show por ano 

12 mil

pessoas fazem parte do quadro de funcionários da empresa 

2.300

é o número de franquias da marca espalhadas no País. São 241 lojas próprias