46 anos de cuidado da Phisalia

Referência em produtos infantis de higiene, a Phisalia retorna ao mercado adulto com a marca vegana premium Physalis e foco total em sustentabilidade

por Felipe Seffrin | fotos Divulgação e Shutterstock





Eduardo Amaralian, CEO da empresa

Pode parecer clichê, mas foi um ato de amor que deu origem à Phisalia, empresa líder no mercado de pó shampoo e vice-líder em shampoos e cremes dentais infantis no Brasil. Tudo começou na década de 70, quando o administrador de empresas paulistano Carlos Ará Amiralian buscava um perfume para dar de presente para sua esposa, Maria Lucia. Perplexo com o valor dos produtos e curioso sobre os processos da perfumaria, ele montou um pequeno laboratório de essências e sais aromáticos em casa – e o que era simples curiosidade virou oportunidade. 

Hoje a Phisalia celebra 46 anos de existência, com ênfase em cuidados infantis por meio da marca Trá Lá Lá, e leva a sério o slogan Cuida com Carinho. Em 2019 a empresa expandiu suas atividades e lançou a marca Physalis, focada em produtos premium veganos e sustentáveis para o cabelo e para o corpo. São sabonetes, shampoos e condicionadores com formulação ao menos 59% vegetal, livres de sal, sulfato, silicone e petrolato. Até as embalagens de resina e papel cartão são feitas com materiais 100% reciclados. Sustentabilidade, aliás, é um dos pilares da empresa antes mesmo de esse conceito entrar na moda. Na Phisalia, todos os passos são pensados buscando equilíbrios ambiental, social e econômico. “Sempre acreditamos que para cuidar do planeta é preciso estar bem consigo mesmo. Temos a ambição muito grande de melhorar a relação das pessoas. Esse valor nós herdamos da nossa família e carregamos desde a origem da empresa”, conta Eduardo Amalarian, 51, CEO da companhia e um dos quatro filhos de Carlos, hoje com 81 anos de idade. O caminho para se posicionar com destaque no competitivo mercado de higiene e beleza brasileiro, no entanto, foi longo. Quando Carlos comprou a Phisalia, em 1980, a empresa fundada seis anos antes em São Paulo estava praticamente falida e já havia passado por diversos sócios. Carlos largou uma boa posição como consultor de empresas para realizar o sonho de ter o seu próprio negócio: adquiriu os direitos da Phisalia junto com uma fábrica no Tatuapé, um estoque razoavelmente cheio e dívidas maiores ainda. Foi uma aposta que deu certo. “Passamos por muitas transformações ao longo do tempo. Fabricamos produtos para terceiros nos anos 1980, depois tivemos um marco importante quando lançamos a linha infantil e vimos que era um mercado interessante”, relembra Eduardo. “Focamos muito no portfólio infantil a partir de 2000 com a marca Trá Lá Lá, que é o carro-chefe da empresa, e adquirimos tecnologia e know-how muito grande. Agora, estamos investindo no mercado suave, sustentável e para o público 50+, que precisa de mais cuidados.” 













A empresa também mudou por dentro. O economista Eduardo começou como estagiário, em 1987, foi subindo na companhia gradualmente e, após estudar empresas familiares na Europa, implementou diversos conceitos de gestão e governança. Em 2005, Carlos deixou a direção e passou a integrar o conselho, enquanto Eduardo assumiu o cargo de CEO. Dos quatro filhos de Carlos, três trabalham na empresa. “Esse ambiente familiar acolhedor nos ajuda a motivar as pessoas. Temos valores e propósitos que compartilhamos entre família e empresa”, diz Eduardo.





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Conquistas e desafios

O Brasil possui o quarto maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo, só atrás de Japão, China e do líder Estados Unidos. De acordo com a Euromonitor International, o setor movimenta R$ 116,8 bilhões ao ano no País. E foi atenta a esses números que a Phisalia se expandiu. 

Em 2019, a empresa investiu R$ 6 milhões em novos equipamentos, moldes, embalagens e sistemas de produção, além de R$ 500 mil no lançamento da marca vegana Physalis. Assim, quando veio o coronavírus, a companhia estava segura para enfrentar a crise. “A gente vem crescendo regularmente. Em 2020, registramos um crescimento”, conta Eduardo. Antes da pandemia, a previsão era de aumentar 10% em relação a 2019. “No meio do ano [passado] estávamos preocupados. As vendas despencaram em abril e maio, mas em junho começaram a retomar. Nossos principais canais de venda são farmácias e mercados, que não fecharam na pandemia”, destaca. Paralelamente, o e-commerce disparou, com crescimento superior a 200%. “As pessoas deixaram de gastar em outras coisas, mas o momento do banho passou a ser ainda mais valorizado, como um tempo para relaxar.” 

A pandemia também fez a empresa se reorganizar internamente. O setor fabril se adaptou para continuar ativo e o pessoal do escritório adotou o home office. Eduardo conta que a Phisalia ganhou em produtividade, com reuniões virtuais mais frequentes. “Essa crise nos possibilitou uma maior aproximação. É lógico que faltou o contato físico, mas aumentamos nossa comunicação. E o balanço é positivo. Temos a sensação de dever cumprido, com todos bem de saúde e a empresa conseguindo crescer”, analisa. 













Em meio a uma grande crise sanitária e econômica, ter uma marca premium recém-lançada poderia ser um pesadelo. Mas a pandemia colocou em evidência o autocuidado e a sustentabilidade – e o desempenho da Physalis em seu primeiro ano foi bastante satisfatório. “O consumo consciente é uma megatendência. Praticamos a sustentabilidade desde a origem da empresa e o consumidor sabe diferenciar o que é propósito do que é marketing. Acredito nisso e espero resultados muito positivos para 2021”, afirma Eduardo. 

A empresa, que comemorou 45 anos de história em 2019, mira o futuro. “Tenho orgulho em fazer parte dessa história ao lado da minha família. Temos a questão da tradição, mas com um olhar para frente, com equilíbrio entre segurança, valores e inovação”, diz o CEO. Como dosar isso? “A Physalis representa essa inovação. Lançamos uma linha sustentável em um momento muito oportuno e conseguimos um bom espaço porque o consumidor busca produtos que tenham alma, que ofereçam algo a mais.” 

A companhia possui um avançado setor de desenvolvimento de produtos para entregar uma formulação vegana com alta performance. Afinal, não adianta nada ser sustentável e não funcionar. Uma série de novidades está programada para os próximos anos, mas por enquanto, a Phisalia mantém segredo. O conceito da sustentabilidade, no entanto, certamente estará presente. “Olhar para a sustentabilidade é fundamental. Não faz sentido tratar mal o planeta. Sabemos que há muito para fazermos como empresa e sociedade, mas esse é o nosso caminho. É seguir cuidando com carinho, sempre.” 

Neste verão, Joana Vieira, artista plástica paulista se inspirou na marca Physalis para criar o ‘banheiro arte’ na Casa do Coronel, no Quadrado em Trancoso, Bahia. A pintura, feita pelo artista Ricardo Keferaus, é marcada pelas folhas estilizadas que representam a vegetação brasileira e fazem parte da identidade visual da marca que tem como propósito ser vegetal e espalhar a essência do bem. Além da pintura, os visitantes conferiram mensagens positivas que expressam o desejo de energia, esperança, inspiração para esse novo ano mais harmonioso.





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Phisalia em números

R$ 116,8 milhões

foi valor movimentado pelo mercado de higiene e beleza no Brasil 

4o lugar 

é posição do Brasil no ranking dos maiores mercados de higiene e beleza 

10%

foi a projeção de crescimento da Phisalia em 2020, antes da pandemia 

R$ 6,5 milhões 

foi o valor investido pela Phisalia em 2019, incluindo novos equipamentos e o lançamento da linha Physalis 

200%

foi o crescimento do e-commerce em 2020