Farol Santander inaugura exposição sobre moda

Mostra, que abre a programação de 2021, ocupa dois andares do edifício até dia 4 de abril e conta com 170 itens como vestidos, casacos, acessórios, fotos, vídeos de coleções clássicas e contemporâneas

fotos Fifi Tong e Divulgação





O Farol Santander São Paulo completa três anos e inaugura em 22 de janeiro a exposição A Arte da Moda – Histórias Criativas. Instalada nos andares 19º e 20º do edifício, a mostra apresenta as relações entre arte e moda, além do desenvolvimento do trabalho de criação dos ateliês no Brasil e na Europa (especialmente na França). A nova expo fica em cartaz até 4 de abril.

Com curadoria de Giselle Padoin, A Arte da Moda ressalta a profunda influência da revolução estética que se iniciou em Paris sobre artistas e personalidades do meio cultural, a partir de 1910. Os visitantes terão a oportunidade de conhecer e vivenciar, por meio de 170 itens, muitos deles exibidos pela primeira vez em uma exposição, a história da moda e a sua evolução do clássico ao contemporâneo.

Entre os destaques estão estilistas e marcas como Coco Chanel; Christian Dior e Coleção Rhodia, além de Itens originais do vestido de Tarsila do Amaral, usado em seu casamento com Oswald de Andrade, inéditos ao público.





Destaques no 20º andar

A pintora Tarsila do Amaral na inauguração de sua primeira individual em Paris na Galerie Percier, 1926

Logo na entrada do ambiente expositivo, uma linha do tempo mostra os grandes nomes da moda francesa e brasileira por meio de registros fotográficos históricos, bijuterias de Yves Saint Laurent da coleção particular de Rose Benedetti dos anos 60 e 70, além do corset de uma das peças da coleção “A Costura do Invisível”, de Jum Nakao.

Outro destaque da entrada é a pintura “Vestido Verde” (1949), do artista gaúcho João Fahrion, desenvolvida em óleo sobre tela e pertencente ao acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS).

Na sequência, o Acervo Coco Chanel revela aos visitantes um acervo com fotos e peças como sapato, bolsa, colar, camélias e perfume, além de livros como Madame Bovary, de Gustave Flaubert (Edição de 1936), uma das obras que inspirou a estilista, considerada uma das mais inovadoras de seu tempo.

Vindos de Paris, três peças da coleção Christian Dior Couture, incluindo um look completo da Coleção Cirque/Alta-costura primavera-verão 2019, de Maria Grazia Chiuri e um vestido vermelho/Red Dress, do estilista britânico Bill Gaytten, da coleção Alta-costura primavera-verão 2012, estarão no ambiente expositivo, que ainda contará com doze fotos do Ateliê DIOR, realizadas pelo fotógrafo francês Gérard Uféras.

Um dos núcleos do 20º andar, chamado Mulheres Modernas: Tarsila do Amaral exibe pela primeira vez peças do vestido de casamento da artista brasileira. Pertencente ao acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, a peça de cor creme e tecido em brocado e chamalote foi feita pelo estilista francês Paul Poiret, a partir da cauda do vestido de casamento da mãe de Oswald de Andrade, para a cerimônia matrimonial de seu filho com Tarsila, em 1926. Os itens expostos serão a capa branca forrada de veludo e o corset.

O quadro Autorretrato, manteau rouge (1923), pintado em óleo sobre tela e pertencente à Coleção do MNBA do Rio de Janeiro e que marcou a mudança de estilo de Tarsila para o Cubismo, também fará parte do núcleo, ao lado de objetos pessoais da artista, como caderneta de anotações; caixa de chapéu; pinceis; paleta de cores; programas dos Ballets Russes, catálogo de exposição na Galerie Percier (Paris) de 1926.





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Bordado da designer Fernanda Nadal

Ainda no 20º andar, um ambiente reúne fotos históricas e ilustrações de Moda Art Déco feitas por artistas franceses como George Barbier e Georges Lepape, dos anos 10 e 20, além de capas da revista Vogue dos anos 20, ilustradas pela artista americana Helen Dryden.

O núcleo dos Ballets Russes é um espaço ambientado com trilha sonora gravada pelo pianista Léo Bittencourt, com músicas de Erik Satie e Claude Debussy – compositores do grupo impulsionado pelo russo Sergei Diaghilev, que agitou Paris e conectou o balé com arte, moda, música e outras expressões artísticas. Itens como bailarinas em porcelana Rosenthal e Capodimonte dos anos 20; fotos e ilustrações dos Ballets feitas por George Barbier em 1913 integram o núcleo.

O Acervo Fernanda Nadal tem amostras de bordado Lunéville, técnica francesa de alta-costura adotada pela designer paranaense, que explora também diferentes estilos de bordados manuais, matérias e texturas.

Ao final do roteiro no 20º andar, uma galeria exibirá um importante material audiovisual: quatro vídeos dos ateliês da Maison Dior e o filme “Haute Couture” (1949), de Henri A. Lavorel, que mostra Christian Dior nos bastidores e o trabalho dos ateliês de alta-costura dos salões da Maison. Outros seis vídeos comemorativos da São Paulo Fashion Week, com registros dos seus 25 anos, também serão exibidos ao público.





Destaques no 19º andar

A exposição continua no 19º andar, com o espaço interativo, um ambiente com mini roupas inspiradas nos estilistas da mostra e bonecas feitas de magneto, onde crianças e adultos poderão montar os seus próprios looks com os materiais disponibilizados. Todos os cuidados sanitários e de higienização serão efetuados pela monitoria da mostra após o manuseio dos itens por parte dos visitantes.

Entre os destaques da sala, estão 10 vestidos da Coleção Rhodia das décadas 60 e 70, pertencentes ao acervo do MASP, desenvolvidos por designers e estilistas com a colaboração de artistas da época como: Dener Pamplona, Alceu Penna, Ugo Castellana, Fernando Martins, Hércules Barsotti, Alfredo Volpi e outros.

Coleção Rhodia, Anos 60. Acervo Rhodia, Grupo Solvay

O espaço ainda conta com fotos históricas dos grandiosos desfiles da marca, além de desenhos e gravuras de artistas plásticos que participaram da iniciativa da Rhodia para impulsionar a moda genuína brasileira.

Ainda sobre a iniciativa da Rhodia, a mostra terá cinco obras de artistas plásticos neoconcretistas, pertencentes à Coleção Santander Brasil e que criaram estampas para a marca na época: duas tapeçarias de Genaro de Carvalho, gravuras de Hércules Barsotti; Manabu Mabe; Alfredo Volpi e uma pintura a óleo de Ivan Serpa.

O ambiente também recebe parte do acervo SISSA Brasil, da designer Alessandra Affonso Ferreira. Serão dezoito peças, entre vestidos, saias, casacos, cadernos da artista, material de pintura e desenhos, além de vídeos e demonstrações do trabalho de tecelagem manual realizado nos centenários teares do distrito de Muquém (MG), em parceria com o tecelão Renato Imbroisi.

Coleção SISSA (estilista Alessandra Affonso Ferreira)

O ofício de tecelagem realizado no sul de Minas Gerais ainda terá um destaque especial durante os três primeiros dias da exposição, já que os artesãos Edmilson Maciel (28 anos) e Igor Carvalho (19 anos), participantes da nova geração do grupo, farão uma demonstração de seus trabalhos artesanais aos visitantes, ofício que aprenderam convivendo com as tecedeiras de gerações anteriores.





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Para finalizar a mostra, o núcleo O Futuro da Moda apresenta fotos e vídeo da coleção de Jum Nakao, “A Costura do Invisível”, apresentada em junho de 2004, na SPFW. Três peças produzidas em tecnologia 3D pela designer mineira Gláucia Froes, também compõe a ala, abordando a evolução e modernidade do setor ao longo dos anos.





Farol Santander São Paulo – R. João Brícola, 24, Centro (estação São Bento – linha 1, azul do metrô).