Um roteiro para curtir a Serra Catarinense

Com cânions exuberantes, cachoeiras acessíveis e estradas cênicas, a região serrana de Santa Catarina mostra que é muito mais do que só um destino de inverno. Confira um roteiro para curtir a Serra Catarinense

por Giovanna Forcioni | fotos Anna Carolina Negri





Vista do Cânion das Laranjeiras

Quem diz que não existe inverno para valer no Brasil provavelmente ainda não conhece Santa Catarina. Para pegar frio de verdade, o caminho mais fácil é voar até a catarinense Lages e de lá seguir por mais ou menos 100 km de estrada até a região serrana – ou voar até Florianópolis, a 172 km dali. Até o final de agosto, é friozinho na certa — com direito a neve e tudo.

Para os friorentos de plantão, a boa notícia é que a Serra Catarinense tem atrações para o ano inteiro, faça frio ou sol. Longe de perder o charme nas outras estações, o que não falta na região é natureza para conhecer e fotografar. Com direito a cachoeiras, cânions de tirar o fôlego, mirantes com vista de montanhas colossais e estradas tão bonitas que tornam inevitáveis as paradinhas para os cliques, a região é um destino para colocar para já na lista de próximas viagens e depois visitar de novo, de novo e de novo. Confira um roteiro para curtir a Serra Catarinense





Câmeras a postos

O viajante é recebido em alto estilo na Serra Catarinense. Seguindo a estrada a partir de Lages, chega-se à SC-390, que liga o litoral a Bom Jardim da Serra. O trecho mais bonito da Serra do Rio do Rastro, como é conhecida, tem menos de 30 km, distância mais do que suficiente para se impressionar com as mais de 200 curvas, uma seguida da outra, contornando a montanha. É daquelas paisagens dignas de guardar na memória e no rolo da câmera, sem moderação.

Uma vez em Bom Jardim, a primeira parada costuma ser na Churrascaria Cascata, onde grupos de motoqueiros e turistas estacionam para repor as energias e curtir o visual da Cascata da Barrinha antes de seguir viagem. De lá, vá até a Fazenda Santa Cândida, de onde guias conduzem os grupos por uma trilha de cerca de uma hora até a borda do Cânion das Laranjeiras. Disposição à parte, vale cada minuto de caminhada ao se deparar com os enormes paredões de arenito que, com sorte, ficam livres do vaivém da neblina e ganham um arco-íris que deixa a experiência ainda mais especial.













Outra parada imperdível fica bem pertinho dali. Apesar de o nome prometer algo parecido, o Cânion do Funil entrega uma paisagem totalmente diferente — mas não menos impressionante. Combinando com o Seu Miguel, dono da propriedade, dá para percorrer os 7 km até lá em um veículo 4×4 e se poupar de caminhar por todo o trecho. Ele costuma dizer que “chamar os paredões de cânions é coisa dessa nossa mania de imitar os americanos”. Americanizado ou não, Seu Miguel garante que não há nada no mundo que se pareça com o cenário que ele possui no quintal de casa. Não dá para discordar.





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Terra de tesouros

Cascata da Barrinha

No nosso roteiro para curtir a Serra Catarinense, siga a rota de paisagens cênicas percorrendo 70 km adiante, a partir de Bom Jardim. Chegando a Urubici, a lista dos “obrigatórios” é tão farta que você corre o risco de querer esticar a viagem só para conseguir encaixar tudo no roteiro. Se tiver que escolher apenas um, vá ao Morro da Igreja e curta a vista das montanhas e da Pedra Furada, cartão-postal da cidade – mas não sem antes passar no escritório do ICMBio e retirar uma autorização (que se esgota rapidamente) para subir até lá. Foi ali que nos anos 1990 o Brasil registrou -17,8ºC, a menor temperatura já sentida no País. Na descida do Morro da Igreja, aproveite e faça uma parada para conhecer a Cascata Véu de Noiva, localizada numa propriedade particular que oferece até opção de hospedagem e lanchonete. São menos de 200 metros em caminho cimentado, a partir do estacionamento. Também não dá para deixar de conhecer a Cascata do Avencal, em duas experiências bem diversas. Por cima, a graça é caminhar pela plataforma de vidro que avança em sentido à queda-d’água e olhar para o chão, se tiver coragem. Por baixo, é possível chegar até os pés da cachoeira, depois de caminhar por uma trilha de pedras que não é exatamente para iniciantes, mas vale o esforço.





Cascata do Avencal

No fim do dia, todos os caminhos levam a subir o Morro do Campestre e curtir o pôr do sol e a vista do vale do Rio Canoas. Depois de passar pela porteira da Fazenda Morro da Cruz e pagar a taxa para acessar a propriedade, um caminho asfaltado leva a um bolsão de estacionamento, de onde faltam só mais alguns metros até o gran finale. Não tem segredo: é só se sentar ali e contemplar a natureza ao redor.





Jeitinho serrano

Ao contrário do Rio Grande do Sul, onde as cidades serranas se esparramam por boa parte do estado, em Santa Catarina dá para contar nos dedos quais são os destinos turísticos de inverno. Urubici é, sem dúvida, a melhor base para explorar a Serra Catarinense. Apesar de pequenininha, tem boa oferta de hospedagem e gastronomia e fica a poucos quilômetros de tudo o que você precisa conhecer na região. Para conforto e charme na medida, uma boa opção é a Serra Bela Hospedaria Rural, um pouco mais afastada do burburinho — se é que podemos dizer assim — da avenida principal. É lá onde fica a maioria dos restaurantes.





Serra do Rio do Rastro

Um bom roteiro para curtir a Serra Catarinense inclui uma esticadinha até São Joaquim, a 60 km dali, para provar os rótulos serranos direto da fonte. Figurinha repetida nos noticiários pelos termômetros abaixo de zero, a verdade é que a cidade não tinha muito mais do que o frio para oferecer até bem pouco tempo atrás. Nos últimos anos investiu no enoturismo e colocou pelo menos uma dezena de boas vinícolas no radar dos viajantes que visitam a região. A maior e mais estruturada delas talvez seja a Villa Francioni, que oferece, de segunda a segunda, degustações e tours guiados na propriedade. A vinícola ganhou o mundo depois que a cantora Madonna, em visita ao Rio de Janeiro, apaixonou-se pelo rosé da casa e encomendou uma garrafa para levar na mala. Antes de provar os sabores serranos, ela mal sabia o que estava perdendo. Ouso dizer que nós, brasileiros, também não fazíamos ideia. Obrigada, Madonna.