Um paraíso em Fernando de Noronha

Não é preciso rodar muito para entender por que Fernando de Noronha tornou-se um dos destinos mais desejados do mundo. Com apenas 16 km², a ilha principal do arquipélago pernambucano exibe uma sequência de praias de águas cristalinas, paisagens de tirar o fôlego e alguns dos melhores pontos de mergulho do planeta





por Bruno Segadilha | fotos Fernanda Frazão





Praia do Sancho

O ano era 1503, e Américo Vespúcio comandava a segunda expedição portuguesa ao Brasil, terra recém-descoberta, com o objetivo de encontrar regiões ricas em ouro e pau-brasil. Tudo corria bem até que, perto da costa brasileira, o principal dos seis navios de sua frota encalhou em uma ilhota no meio do Oceano Atlântico. “O paraíso é aqui”, disse Vespúcio ao se deparar com o arquipélago. São 21 ilhas impressionantes, com praias de águas azuis e rochas negras, provas geológicas de que o lugar é fruto da intensa erupção de um vulcão, ocorrida há milhões de anos. Hoje, mais de 500 anos depois, Fernando de Noronha transformou-se em um dos destinos mais desejados do mundo. Um lugar onde o mar cristalino e a rica fauna marinha propiciam mergulhos inesquecíveis, a temperatura da água e dos ventos é amena e a vida corre em outro ritmo. Mas não só isso. O oásis, localizado a 540 quilômetros de Recife, é ideal também para quem gosta de curtir a natureza, mas não abre mão de conforto, com excelentes opções de pousadas e ótimos exemplos de restaurantes e bares. Vespúcio sabia das coisas.





Para desacelerar

Ao desembarcar no aeroporto de Fernando de Noronha, os visitantes mais afoitos ouvem dos locais: “Relaxe, não se preocupe com o horário, sempre vai dar tempo”. Os moradores têm toda razão. A principal ilha do arquipélago – e única habitada – tem apenas 16 km² de área e é cortada por uma pequena estrada de 7 quilômetros, a BR 363. Por isso, esqueça filas de automóveis, buzinas e horas no trânsito. Os percursos não duram mais do que dez minutos. Poucos carros e ônibus rodam por ali, já que o acesso de bens, produtos e até de pessoas é controladíssimo.

O Morro Dois Irmãos visto da Cacimba do Padre

O que para alguns pode parecer exagero foi, na verdade, a maneira encontrada para preservar o lugar do turismo predatório. Por causa de sua rica fauna marinha, o arquipélago foi reconhecido e tombado pela Unesco como patrimônio mundial da humanidade e abriga duas unidades de conservação: o Parque Nacional Marinho e a Área de Proteção Ambiental. Pagando uma taxa diária, turistas e moradores podem circular na Área de Proteção Ambiental, onde ficam as pousadas, o comércio e toda a estrutura urbana de Noronha.

Já as praias que ficam no Parque Nacional Marinho têm acesso mais restrito: é preciso pagar um ingresso, que vale por dez dias. Tamanha preocupação com o ambiente se reflete nos hábitos cotidianos de seus cerca de 3 mil habitantes, acostumados a pedir carona na estrada e a economizar água e energia, já que Noronha não conta com lençóis freáticos e muito menos com nascentes. A conscientização é tão grande que, em poucos minutos, os visitantes entram no clima e aprendem a respeitar a natureza.





Golfinhos nas águas de Noronha

Encantos do mar

Mar azul-turquesa, águas mornas e cristalinas e uma variedade enorme de espécies marinhas. Tudo isso faz de Fernando de Noronha um dos melhores pontos de mergulho do mundo. Não importa onde escolha mergulhar, o visitante poderá esbarrar com golfinhos, polvos e arraias. Suas praias estão situadas em duas áreas principais: as do Mar de Dentro e as do Mar de Fora. As do Mar de Dentro ficam na porção da ilha voltada para o litoral brasileiro; já as do Mar de Fora estão na área voltada para o Oceano Atlântico.

Na primeira vez na ilha, vale a pena fazer o passeio conhecido como Ilha Tour, que percorre todo o litoral. Depois de conhecer cada um dos principais pontos, é possível escolher o seu programa favorito. As praias da Conceição e do Cachorro são mais movimentadas. A Praia do Sancho impressiona com suas águas calmas e translúcidas. Não à toa, já foi eleita uma das mais belas do Brasil e do mundo. O acesso é trabalhoso: é preciso descer por escadas em meio a fendas nas pedras. Como prêmio o visitante pode nadar junto com imensos cardumes que aparecem por lá.





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Vista do Mirante do Sancho

Logo ao lado, a Baía dos Porcos é outro programa imperdível, com suas piscinas naturais e o famoso Morro Dois Irmãos, um dos cartões-postais do arquipélago. Está em busca de emoção e quer ver tubarões? Mergulhe na Praia do Sueste, que tem águas um pouco mais agitadas e concentra um número maior deles. Os filhotes nadam quase na beira do mar, enquanto os maiores aparecem mais adiante, a alguns metros do litoral, e não dão a menor bola para os humanos, já que a região consegue manter seu equilíbrio ecológico. Para saber mais sobre o temido ser marinho, visite o Museu do Tubarão, que tem em seu acervo esqueletos e várias informações sobre o cetáceo.

Se você prefere os simpáticos golfinhos, experimente a canoa havaiana. O passeio começa na Praia do Porto e segue até a Praia da Conceição, seguindo um trajeto de cerca de 5 quilômetros. É preciso ter fôlego para remar, mas todo o esforço é recompensado no momento em que os mamíferos marinhos começam a nadar em volta da embarcação.









VOCÊ SABIA?

O arquipélago foi originalmente batizado de Fernão de Loronha, em 1503, em homenagem ao fidalgo português que patrocinou a expedição de Américo Vespúcio. O tempo e os diferentes registros de seu nome em mapas e documentos acabaram alterando a grafia para Fernando de Noronha.













Manual de sobrevivência

1 – Fernando de Noronha não possui lençóis freáticos nem nascentes. É fundamental economizar água,
um bem raro por lá. Banhos demorados estão fora de cogitação.

2 – O arquipélago tem um clima bastante variável por causa dos ventos. Por isso,
não desanime caso acorde com um dia chuvoso. É bem provável que em alguns minutos o céu esteja limpo novamente.

3 – A ilha conta com apenas duas agências bancárias e nem sempre os sistemas estão em pleno funcionamento.
Por isso é bom fazer um planejamento de gastos e levar a quantia em dinheiro.