O que fazer na Costa do Sol

Localizadas em média a 170 km do Rio de Janeiro, Búzios e as vizinhas Arraial do Cabo e Cabo Frio, cidades da chamada Costa do Sol impressionam com suas praias de areias brancas e águas cristalinas

por Bruno Segadilha  |  fotos Anna Carolina Negri





Vista da Praia Brava, em Búzios

O hype começou com Brigitte Bardot. Em 1964 a musa do cinema francês procurava um destino tranquilo para passar as férias. Encontrou em Armação dos Búzios, uma então pequena vila de pescadores, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, o lugar ideal para descansar. Os dias de reclusão e anonimato, no entanto, duraram pouco. Rapidamente, o refúgio foi descoberto e ocupou as manchetes internacionais. Azar da estrela e sorte da região, que caiu na boca do mundo e se tornou um dos motores do turismo nacional. 

De lá para cá, Búzios e as vizinhas Arraial do Cabo e Cabo Frio ganharam corpo e estrutura para receber os milhares de visitantes que chegam lá em busca de praias paradisíacas. As águas são tão límpidas que essa porção do litoral fluminense foi carinhosamente apelidada de “caribe brasileiro”. Para aproveitar esses destinos, vale a pena se programar. Gosta de agito e ferveção? O período ideal para ir lá é entre outubro e fevereiro, quando os três destinos estão cheios de gente em busca do calor, das férias e das festas de fim de ano. Se você prefere uma viagem mais calma, espere para ir entre março e novembro, época em que bares, restaurantes e principalmente praias estão mais vazios. Seja qual for a sua escolha, a Região dos Lagos – também conhecida como a Costa do Sol – está pronta para lhe surpreender. 













Ilha do Japonês

Charme à beira-mar

Ruas charmosas e agitadas, bares badalados, litoral deslumbrante. Armação dos Búzios é uma união de todas essas coisas. Ao longo dos anos, a antiga vila de pescadores, elevada à condição de município apenas em 1995, ganhou hotéis e pousadas, como o La Pedrera Small Hotel & Spa, que fica a poucos metros da Praia João Fernandes, uma das mais famosas. Ao todo, a pequena península banhada pelo Oceano Atlântico tem 22 praias com características que agradam um público variado.

Geribá, a mais famosa delas, possui uma extensa e larga faixa de areia e boa infraestrutura, com quiosques e barracas para alugar. A água nos cantos esquerdo e direito são mais calmas e, por isso, atraem os que querem aproveitar o mar sem sobressaltos. Já a parte central é mais agitada e preferida dos surfistas. Logo ao lado fica a Praia Ferradurinha, que costuma atrair os praticantes de stand up paddle e é menos cheia. Já a Praia Brava também atrai muitos surfistas com suas ondas.

Se você busca passeios mais intimistas, não deixe de conhecer as praias Azeda e Azedinha, uma do lado da outra. São pequenas, pouco frequentadas e banhadas por águas tranquilas, ideais para quem viaja com crianças ou para quem quer fazer um mergulho com snorkel. A escada que leva à Azeda, aliás, é um dos pontos mais instagramáveis de Búzios. Feita de madeira, ela desce o morro em meio à exuberante Mata Atlântica. Se estiver hospedado no Centro e tiver energia, faça o trajeto até essas duas praias a pé. 





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O caminho inclui passagens por dois dos principais símbolos da cidade, começando pela Orla Bardot. O calçadão, que fica de frente para a Praia da Armação, reúne bares, restaurantes e baladas, além das estátuas de bronze em homenagem a Brigitte Bardot e Juscelino Kubitschek, outro entusiasta do balneário. As obras foram criadas pela artista paulista Christina Motta, que é responsável também pela escultura Os Três Pescadores, construída a poucos metros dali, em cima de pedras que ficam cobertas pelo mar durante a maré alta. 













Cabo do Rochão, uma das belas formações rochosas do litoral de Arraial do Cabo 

Seguindo até o final da orla, o visitante chega à Praia dos Ossos, que abriga algumas das casas mais charmosas da região, além de construções históricas. Esse nome foi dado porque essa faixa litorânea foi um importante entreposto no comércio de baleias entre 1728 e 1768 e servia como uma espécie de depósito dos ossos do mamífero marinho. A Igreja de Sant’Anna, erguida a poucos metros dali, em uma elevação entre a Praia da Armação e a Praia dos Ossos, também ajuda a contar a história dos pescadores. Erguido em 1740, o templo católico é uma homenagem a Santa Ana, padroeira que garantia a fartura de peixes no mar. 

Além da natureza privilegiada, Búzios desenvolveu, nos últimos anos, uma cena gastronômica intensa, com opções para diferentes gostos e orçamentos. A própria Orla Bardot abriga alguns dos melhores restaurantes da cidade, a exemplo do 74, no Casas Brancas Boutique Hotel & Spa. Da cozinha, comandada pelo chef Gonzalo Vidal, saem delícias inspiradas nas culinárias mediterrânea e japonesa, como o guioza de porco com bottarga e o polvo servido com brócolis e mil-folhas de mandioquinha. A alguns metros dali o Madame Bardot é uma boa pedida para quem quer almoçar ou jantar com uma bela vista do mar. Localizado na Praia da Armação, tem opções de carne e pescados e o imbatível Maravilhas do Mar, travessa com camarões, lulas, mariscos, polvo e lagostas sérvios com batatas. 

Outro ponto que oferece exemplos desse movimento gastronômico é a Rua das Pedras. O lugar, onde se concentra boa parte do burburinho, abriga desde opções de crepes e lanches rápidos até casas dedicadas à culinária italiana, como a Primitivo Búzios. Comandado pelo chef e proprietário Mauro Vettori, serve pizzas artesanais com massa de fermentação lenta e massas como o excelente nhoque de banana-da-terra servido com molho de gorgonzola, alho-poró, presunto, parmesão e lascas de amêndoas, uma combinação perfeita entre doce e salgado. 

Se você quer se afastar um pouco da agitação, não deixe de conhecer o Porto da Barra. Espécie de shopping a céu aberto, o empreendimento, construído ao lado do Cais de Manguinhos, tem lojas, sorveterias e 13 restaurantes, entre eles o Anexo Praia Búzios. A dica é pedir um petisco, como os ótimos croquetes de carne ou os camarões empanados, e saborear um drinque observando o pôr do sol. Uma experiência inesquecível.





Águas cristalinas? Temos!

Conta a história que, logo após a chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500, a Coroa de Portugal realizou diversas expedições de reconhecimento do litoral brasileiro. Foi nessa época que o navegador Américo Vespúcio descobriu um paraíso de águas azuis, onde decidiu instalar a primeira feitoria do Brasil: Arraial do Cabo. Construiu casas, oficinas e um dos primeiros templos católicos do Brasil, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, inaugurada em 1506. Os anos passaram, a região perdeu a importância comercial com o fim do comércio do pau-brasil. O vilarejo ficou durante um bom tempo esquecido e isolado – já que o difícil acesso era feito pela praia, por onde seus moradores iam e vinham, a pé ou a cavalo. Isso durou até os anos 1960, quando, impulsionada pela fama repentina de Búzios, Arraial do Cabo chamou a atenção dos turista e principalmente de mergulhadores do mundo todo.

Pontal do Atalaia

Graças às águas cristalinas de seu mar muito azul e à abundante vida marinha, Arraial do Cabo ficou conhecida como o “Caribe brasileiro” e é, hoje, considerada a capital do mergulho no País. Uma boa maneira de conhecer as belezas desse lugar é em um passeio de barco. O Centro da cidade reúne agências especializadas, a exemplo da Charman Tour, que organiza tours nas praias saindo do Porto do Forno. O roteiro começa com uma parada na Praia do Farol, a grande estrela da região. Por ficar em uma área de proteção da Marinha do Brasil, tem acesso limitado a poucos visitantes, com visitas de apenas 20 minutos por grupo. Um período curto, é verdade, mas, acredite, vale cada segundo do seu tempo e de sua atenção. Com sorte, é possível ver golfinhos, tartarugas e arraias.

A embarcação segue rumo ao Oceano Atlântico e passa por pontos famosos, como a Gruta Azul e a Fenda de Nossa Senhora da Assunção. Trata-se de uma enorme formação rochosa de cinco metros de largura e 40 de altura, que nos dá a impressão de terem retirado uma fatia do Morro do Farol. Foi batizada assim porque, segundo relatos históricos, abrigava a imagem de Nossa Senhora da Assunção encontrada por um pescador em 1721. Reza a lenda que os casais que se beijam na frente da fenda jamais se separam. 

Depois é a vez de conhecer as duas praias do Pontal do Atalaia. Assim como a Praia do Farol, são faixas litorâneas de areia branca e mar azul cristalino, mas com um apelo mais informal. É permitido consumir bebidas e alimentos, montar barracas e não há limite de tempo. O acesso é feito de barco ou de carro pelo Morro do Pontal. É importante chegar cedo porque o estacionamento tem espaço para cerca de 200 veículos. Dali, os banhistas descem a enorme escada de madeira que leva até a areia e que se transformou em um dos símbolos locais. 

O passeio termina com um mergulho na Praia do Forno, outro cartão-postal da região. Quem não quiser chegar até lá pelo mar pode percorrer a pé a trilha que começa no Porto do Forno e tem cerca de 1,5 km de extensão. É preciso ter certo fôlego, já que o trajeto tem subidas íngremes no Morro da Fortaleza. Lá de cima já é possível avistar o contraste entre o azul do oceano e o verde vivo da Mata Atlântica, um cenário que parece uma pintura. 





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Praia com história

O Forte de São Mateus e as construções antigas do Centro Histórico já revelam: Cabo Frio ocupava uma posição estratégica para o comércio durante o Brasil colonial. A região, originalmente habitada pelos índios Tamoios, mudou de cara e passou por intensos períodos de invasões e disputas, especialmente devido à grande oferta do valioso pau-brasil. Hoje representa uma das principais cidades da Costa do Sol e concentra serviços, hipermercados e lojas de departamento – além de receber voos diretos da Azul partindo de diversas cidades do País. 

Uma de suas grandes atrações é a Praia do Forte. São 7,5 quilômetros de areia branca e lisinha e de águas azuis e geladas. O mar é relativamente calmo, ideal para quem viaja com a família. A orla tem ciclovia e está repleta de quiosques. Para quem viaja com crianças, o ideal é curtir as piscinas naturais que se formam na ponta esquerda da orla, perto do forte. A edificação, por sinal, fica aberta para os visitantes que quiserem dar um pulo até ali e observar a cidade de um ponto mais alto. Inaugurado em 1618, o forte ainda mantém os canhões de ferro que defendiam a cidade nos séculos passados. A enorme orla também guarda atrações como o Museu do Surfe, projeto do empresário Telmo Moraes que reúne mais de 2 mil peças entre pranchas, skates, quadros e publicações especializadas. 













Perto dali fica o Bairro da Passagem, erguido às margens do Canal Itajuru, que liga o mar à Lagoa de Araruama. Um dos vilarejos mais antigos do País, ganhou esse nome porque era ponto de travessia nos tempos do Brasil Colônia. Hoje, atrai turistas com suas antigas casinhas coloridas, seus becos e suas ruas de pedra e construções, como a Igreja de São Benedito, erguida por escravizados no século 18. No entorno da praça de mesmo nome, bares e restaurantes tornam o lugar ainda mais charmoso, a exemplo do The Duckpub. Construído dentro de um casarão histórico, o pub serve cervejas e drinques, além de comidinhas e lanches como hambúrgueres artesanais. 

Vale a pena conhecer pontos como o Beco do Príncipe, uma via que liga a Praça São Benedito ao Porto da Passagem. Foi batizada assim por atravessar o terreno de um casarão construído pela família Orleans e Bragança, com um arco que liga as duas partes da propriedade. Andar nas margens do Itajuru, por sinal, é outro ótimo passeio. Vale a pena também contemplar o pôr do sol dali, observando as pequenas embarcações coloridas, ou fazer um passeio a bordo de aquatáxis. São essas embarcações também um dos meios de se chegar à famosa Ilha do Japonês, muito procurada para quem quer pegar praia sem agitação. 













Quando bater a fome, a dica é conhecer o Casa Kanaloa, que serve pratos da cozinha tailandesa. O espaço abriga ainda a pizzaria Finestra, com redondas saborosas e massas artesanais. Já na Praia do Foguete, um pouco mais afastada, fica o Pier Beach Club, charmoso restaurante e pousada pé na areia. Do outro lado da cidade, o Bairro do Canal guarda uma boa surpresa, o restaurante Picolino, com opções de carne, peixes e frutos do mar, como o tornedor ao molho de mostarda com batatas e arroz de polvo. Ali perto está um dos lugares mais famosos e disputados da cidade, a Rua dos Biquínis. O shopping a céu aberto tem 110 lojas e é o maior polo de beach wear da América Latina. Afinal, de hype e de praia a região entende muito bem.  





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