O que fazer em Curitiba, Morretes e Ilha do Mel

Com 28 parques e 15 bosques, a capital paranaense oferece uma combinação ímpar de conexão com a natureza, alta gastronomia e agito noturno. De quebra, dá para pegar uma praia na Ilha do Mel ou descer de trem até Morretes e Antonina, em uma encantadora viagem ao passado

por Flávia G Pinho  |  fotos Ariel Martini




Passeio instagramável no Museu Oscar Niemeyer

Foi-se o tempo em que Curitiba era uma espécie de patinho feio para quem visitava a região Sul. Na última década, a capital paranaense finalmente descobriu sua vocação turística – e ela está justamente na diversidade de cenários que a cidade oferece. O turismo de negócios vem se consolidando, mas cada vez mais gente vem constatando que a capital também virou um atraente destino de lazer. De 2012 a 2019, último ano antes da pandemia, o fluxo de turistas aumentou 100%, segundo o Instituto Municipal de Turismo. “A ocupação hoteleira, que era maior durante a semana, também se equilibrou. Hoje temos hotéis cheios também nos fins de semana”, comemora Tatiana Turra, presidente da entidade, vinculada à Prefeitura de Curitiba. 

As áreas verdes compõem a faceta mais atraente da cidade, e elas vão muito além do famoso Jardim Botânico, cuja estufa é um dos principais cartões-postais de Curitiba. São quase quatro dezenas de parques e bosques urbanos, extremamente bem cuidados, onde é possível caminhar, pedalar ou simplesmente contemplar a natureza. E melhor: cada um tem identidade própria. No Passeio Público, primeiro parque da cidade, viveiros de várias espécies de aves cercam um telão circular de LED, onde são exibidos concertos musicais, filmes e vídeos a céu aberto. O bosque João Paulo II, por sua vez, é um verdadeiro memorial da imigração polonesa – uma casa de madeira ambientada e uma capela, consagrada a Nossa Senhora de Czestochowa, mostram como viviam os primeiros imigrantes. Já no Parque Tingui, o tema é a imigração ucraniana – após a caminhada, vale a pena fazer uma parada no misto de loja de artesanato e café e provar quitutes típicos como o horischke, biscoito amanteigado com recheio de nozes. Um ótimo meio para percorrer tantos parques é usar os ônibus de dois andares da Linha Turismo. O serviço funciona 24 horas, com direito a descrições em português, inglês, espanhol, francês e libras. Ao longo de 3 horas de passeio, os veículos percorrem cerca de 47 quilômetros, passam pelos principais pontos turísticos e permitem embarques e desembarques ilimitados no mesmo dia. 

As atrações culturais não ficam atrás. Uma das paradas obrigatórias, o Museu Oscar Niemeyer não atrai somente pelas exposições – seu curioso formato, inspirado nas araucárias, árvores símbolo do Paraná, está sempre na mira das câmeras. O Memorial Paranista, maior jardim de esculturas do País, dedicado à obra de João Turin, e o Teatro Guaíra, construção modernista inaugurada em 1954, mantêm intensas programações de shows, apresentações de dança e peças teatrais. Mas nada se compara à curiosidade que a Ópera de Arame desperta. A peculiar estrutura tubular foi construída em 1992, no bairro Abranches, em uma pedreira desativada. No centro da edificação, que parece flutuar no lago, um teatro com 1572 lugares abriga apresentações culturais, enquanto o misto de café e Ópera Arte é ponto de encontro para almoçar ao som de música ao vivo – das 10h às 18h, os músicos tocam em um pequeno palco flutuante, diante das mesas – ou contemplar o entardecer bebericando o espumante local, Ópera Poty, elaborado pela Vinícola Araucária. 













Quando o assunto é gastronomia, também é possível conhecer várias Curitibas em uma só. No bairro Santa Felicidade, reduto de imigrantes italianos, cantinas tradicionais reúnem grandes grupos de turistas. Não há excursão que não pare no Madalosso, complexo inaugurado em 1970 com nada menos do que 4630 lugares. O rodízio, que vai dos petiscos às sobremesas (tem até rondele romeu e julieta), registra números impressionantes: por fim de semana, são consumidos 1,6 tonelada de polenta, 1,5 tonelada de asas de frango fritas e 550 quilos de risoto. Alta gastronomia? Curitiba também tem. No Hai Yo, dentro do hotel Grand Mercure Rayon, o chef Lucas Coelho assina um menu degustação que passeia por vários países da Ásia. Múltiplas influências também pontuam as criações do chef Luan Honorato, do Nomade – o restaurante fica no mezanino no Nomaa, primeiro hotel butique de Curitiba e o preferido das celebridades que se hospedam na cidade. Para quem busca agito, as pedidas são os hambúrgueres do Hard Rock Café, lotado de segunda a segunda, e os pratos substanciosos do Bar do Alemão – inaugurado em 1979 no Largo da Ordem, reduto boêmio do Centro Histórico, o lugar é famoso pelas porções de carne de onça (petisco preparado com carne bovina crua bem temperada) e pelo chope Submarino (uma canequinha de Steinhäger vai à mesa mergulhada na caneca de cerveja). 





Deu praia

Curitiba fica a pouco mais de uma hora do litoral, estímulo mais do que suficiente para pegar a estrada nos dias de sol e calor. Um dos destinos mais procurados por curitibanos e turistas, a Ilha do Mel tem praias paradisíacas e ruas de areia por onde só se circula a pé ou de bicicleta. Carros são proibidos e devem ser deixados em Pontal do Sul ou Paranaguá, de onde saem embarcações de linhas regulares ou táxis náuticos – de lancha, a travessia de Pontal do Sul até a ilha leva apenas 15 minutos. O trajeto da capital até os dois portos já é um belo passeio. Embora a BR-277 seja o caminho mais rápido, compensa sair um pouco mais cedo para curtir as inúmeras curvas da Estrada da Graciosa, antigo caminho de tropeiros de 1873, que mantém parte do calçamento de paralelepípedos entre arbustos de hortênsias. 

Difícil determinar qual dos dois vilarejos da Ilha do Mel, Encantadas ou Nova Brasília, é o mais adorável. Ambos reúnem restaurantes, cafés, lojinhas e pequenas pousadas, e também dão acesso a trilhas que descortinam cenários deslumbrantes, como a Gruta das Encantadas, o Farol das Conchas e a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. Quem tiver bom preparo físico e tempo de sobra pode desbravar toda a ilha caminhando. Já para quem planeja fazer um bate e volta a partir de Curitiba, é recomendável usar o barco para ir de um vilarejo a outro e deixar apenas as trilhas mais curtas para percorrer a pé.  













Viagem no tempo

As manhãs na estação ferroviária de Curitiba são concorridas. Pelo menos quatro vezes por semana (ou diariamente, em janeiro, fevereiro,  e nas segundas quinzenas de julho e dezembro), sempre às 8h30, ouve-se o apito do trem que parte, levando centenas de turistas à cidade histórica de Morretes. Construída no fim do século 19 para transportar cargas que chegavam ao porto de Paranaguá, a ferrovia operada pela Serra Verde Express é uma atração por si só – ao longo de quatro horas, o trem percorre 110 quilômetros de trilhos na Serra do Mar, atravessa 14 túneis cavados a picareta e se equilibra sobre pontes de ferro vertiginosas, que parecem flutuar sobre a floresta. Quem opta pelos vagões da categoria Boutique tem direito a guia bilíngue e serviço de bordo, com lanchinho, cerveja, refrigerantes e sucos à vontade, enquanto a classe Litorina Luxo tem até espumante de boas-vindas.

Farmácia Internacional, fundada em 1911, preservada no Centro de Antonina

Fundada no século 18, Morretes mantém seu belo casario colonial erguido às margens do rio Nhundiaquara e ficou famosa por dois motivos: as altas temperaturas, que passam facilmente dos 40ºC no alto verão, e o barreado, prato típico presente em todos os restaurantes da cidade. Carne bovina e temperos são cozidos, por horas a fio, em panelas de barro que têm a tampa lacrada por uma espécie de massa, feita com farinha de mandioca, água e cinzas. O resultado é um cozido caldoso, bem desfiado, que se come com farinha de mandioca fininha e banana. Depois do banquete, a pedida é tomar a fresca na beira do rio antes de seguir para a vizinha Antonina, uma das cidades mais antigas do estado – de carro, são apenas 20 minutos. Uma caminhada no Centro revela construções preservadas, entre elas a farmácia Internacional, com seu mobiliário de época, e o píer diante da Baía de Antonina. Aproveite para provar uma iguaria local que conquistou, em 2020, o registro de Indicação Geográfica: a bala de banana, produzida de forma artesanal por duas fábricas da cidade, há mais de 40 anos. 

O retorno à capital depende da disposição e do tempo de cada um – há vários pacotes disponíveis para quem adquire as passagens de trem na Serra Verde Express. É possível voltar pela ferrovia e rever a paisagem da Serra do Mar, sem pressa, subir de van pela Estrada da Graciosa ou chegar rapidinho à cidade, ou ao Aeroporto Internacional Afonso Pena, pela BR-277. Seja qual for o caminho, o gostinho de quero mais é garantido. 





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