O que curtir na pequena notável Aracaju

Vai para Sergipe? Saiba o que curtir na pequena notável Aracaju, que conquista seus visitantes com praias rústicas, rios caudalosos, frutos do mar em abundância e um povo acolhedor

por Marina Azaredo  |  fotos Daniel Aratangy





Sergipe, o menor estado brasileiro, não foi contemplado com o mar azul-turquesa de Alagoas nem com a fama sossegada da Bahia, cantada por Dorival Caymmi. Enquanto as cidades de Maceió e Salvador atraíam hordas de turistas, Aracaju se manteve menos disputada. E, sabendo que não seria fácil concorrer com os predicados dos estados vizinhos, a capital sergipana apostou na gentileza, na cordialidade e na receptividade. A jogada foi certeira: não é preciso muito para o turista ser conquistado pela beleza discreta e acolhedora de Aracaju.   

Caiaques e stand up paddle na Croa do Goré

Para ser arrebatado imediatamente, rume para a Croa do Goré, um banco de areia no meio do Rio Vaza Barris com ares paradisíacos. É possível ir até lá alugando uma lancha particular, mas agências também organizam o passeio de catamarã, que parte da Orla do Pôr do Sol e pode ser combinado com a Ilha dos Namorados. O barco navega por manguezais e tem uma divertida apresentação de forró. Uma vez lá, a dica é escolher uma sombra e curtir deliciosos banhos nas águas mornas do rio. Ainda há a possibilidade de alugar caiaques ou stand up paddles. Se bater a fome ou a vontade de um drinque, há um bar no local. 

Para continuar no esquema sombra e água fresca, o melhor é rumar para o litoral Sul de Sergipe. O destaque é a Praia da Ponta do Saco. Praticamente deserta, não fosse por um bar muito simples, tem ares rústicos e inexplorados. O banho é de água salobra devido ao encontro do rio com o mar. Dali já é possível avistar Mangue Seco, na Bahia. O melhor jeito para chegar à Ponta do Saco é de jipe, a partir da Praia do Saco – os jipeiros concentram-se na frente do restaurante Asa Branca. O passeio inclui idas às dunas, pontos panorâmicos e uma lagoa.

A água do mar não é turquesa como a da vizinha Maceió, mas os aracajuanos não deixam por menos: dizem que é “perolada”, uma visão bastante otimista, porém simpática – a cor mais escura deve-se à influência dos rios da região. Além disso, não se esquecem de destacar a sua temperatura, que é morna e convida a longos mergulhos (aqui não há exagero). 

Mais perto do Centro da cidade, há dois restaurantes à beira-mar, excelentes para passar o dia curtindo a praia. O Duna tem ares de beach club do Mediterrâneo, com mobiliário branco e garçons de camisa listrada – e pratos como a pasta ai frutti di mare e o carpaccio de polvo. Já o Parati tem atmosfera mais easy going, com decoração rústica e gastronomia focada em especialidades regionais. O proprietário é Harry Boersma, um holandês que há 25 anos esteve no Brasil pela primeira vez e se apaixonou pelo que encontrou. Há 12, comprou o estabelecimento e fincou raízes em Aracaju. Não raro, ele circula no Parati de chapéu-panamá na cabeça e sorriso no rosto. 

Entre as praias urbanas, o destaque é Atalaia, bairro com as principais ofertas de hospedagem da cidade e uma orla com um belo projeto urbanístico e paisagístico. Além das passarelas de madeira que levam ao mar, há lagos, quadras esportivas, bares, vegetação abundante, esculturas de personagens das histórias de Sergipe e do Brasil e até um oceanário do projeto Tamar, que agrada principalmente às crianças. É também bastante seguro, com jovens, famílias e casais passeando tranquilamente à noite. Em frente à orla fica a Passarela do Caranguejo, trecho que concentra bares e restaurantes. Um dos destaques é a Casa de Forró Cariri, com apresentações do estilo musical.





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Mais detalhes sobre o forró, a cultura, a gastronomia e outras manifestações culturais locais podem ser aprendidos no Museu da Gente Sergipana, que infelizmente ainda encontra-se fechado devido à pandemia. Verifique se a instituição já tiver retomada as atividades quando você for a Aracaju – e não deixe de visitar o museu. Totalmente interativo, funciona no prédio de uma antiga escola restaurada e já recebeu diversos prêmios. Lá é possível fazer um passeio de barco para conhecer a vegetação e a natureza de cada região do Estado, conversar virtualmente com um típico feirante do passado e soltar a voz na leitura de um cordel, gerando um vídeo que depois pode ser compartilhado no YouTube. O museu pode ser combinado com um city tour no Centro Histórico da cidade, que começa na colina do bairro de Santo Antônio, onde nasceu Aracaju, e percorre pontos importantes, como a Ponte do Imperador, construída para receber D. Pedro II e sua comitiva, e os mercados Antônio Franco, Thales Ferraz e Albano Franco, onde é possível experimentar quitutes locais e comprar artesanatos.  













Rumando para o interior, mais especificamente para Itabaiana, o Parque dos Falcões é um reconhecido centro de criação, multiplicação e preservação de aves de rapina, com autorização do Ibama para a criação desse tipo de pássaro. O local é fruto do trabalho apaixonado de José Percílio, um autodidata que muitas vezes se encarrega de apresentar algumas das mais de 300 espécies que ali vivem, entre gaviões, falcões e corujas, aos visitantes.

Uma vez em Aracaju, vale ainda dar uma conferida na efervescente cena artística local. Um dos lugares mais interessantes da cidade é a Reciclaria, espaço que nasceu como uma marcenaria para reciclar móveis antigos e hoje recebe shows de artistas alternativos e apresentações culturais. Da cozinha saem pratos vegetarianos e veganos preparados com ingredientes regionais. Um lugar fora do circuito turístico e frequentado principalmente por aracajuanos, ideal para conhecer a cidade como ela é, com toda a sua autenticidade. 

Aracaju conquista justamente por seu charme despretensioso. E esteja avisado: uma vez que a cidade lhe conquiste, vai ser difícil não querer voltar. 

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