10 casas de celebridades que viraram museus

Algumas casas de celebridades, como escritores, músicos, poetas e artistas plásticos, acabaram se transformando em verdadeiras relíquias históricas. Conheça algumas das mais interessantes e curiosas

por Bruno Segadilha | fotos Shutterstock, Xico Diniz, Ricardo Laf, © Maison et Jardins Claude Monet Giverny e Divulgação





Museu Casa Kubitschek

Belo Horizonte // Brasil

Prefeito de Belo Horizonte entre 1940 e 1946, o ex-presidente Juscelino Kubitschek comandou uma reforma urbanística que mudou para sempre a cara da cidade. Abriu grandes avenidas, dedicou-se a obras de infraestrutura e construiu o conjunto arquitetônico da Pampulha, um dos marcos da moderna arquitetura brasileira, projetado por Oscar Niemeyer. Concluída em 1943, a Casa Kubitscheck foi construída em um terreno de grandes proporções, em aclive, com concreto armado, e servia como residência nos fins de semana. Os jardins foram concebidos por Burle Marx e integram as obras de arte aplicada, o painel de azulejos de Volpi que retratam as antigas representações cartográficas. Tombada como Patrimônio Histórico em 2009, a casa transformou-se em museu em 2013, conservando os móveis e objetos da família para que os visitantes entendam melhor esse importante período da história da cidade. 





Museu Casa Portinari

Brodowski // São Paulo

Um dos pintores mais importantes do País, Cândido Portinari nasceu em uma fazenda de café em Brodowski, interior de São Paulo, em 1903. Foi ali que o artista começou a fazer suas primeira experiências com tintas, retratando personagens e cenários de sua cidade. Tombada pelo Patrimônio Histórico, o lugar onde Portinari cresceu já passou por algumas reformas e hoje abriga um museu, inaugurado em 1970. O espaço é  constituído por uma casa principal e anexos construídos em sucessivas ampliações, que serviram de moradia para os familiares que chegavam à cidade. No acervo, há várias pinturas sacras feitas nas paredes e objetos de uso pessoal, além de mobiliário e utensílios da família, que ficam em cômodos preservados na disposição original. Do lado de fora, os visitantes podem conhecer a pequena capela feita para avó no jardin.





Graceland

Memphis // Estados Unidos

Famosa mansão em que Elvis Presley viveu, Graceland, na cidade de Memphis, nos Estados Unidos, recebe cerca de 600 mil pessoas por ano e é a segunda residência mais visitada do país. Fica atrás apenas da Casa Branca, em Washington. Durante o passeio na casa é possível visitar cômodos como a sala de estar, com seus extensos sofás, uma mesa de granito escuro e o famoso piano branco do cantor, além de ambientes como o Jungle Room, onde Elvis costumava receber os amigos. Do lado de fora, ficam os aviões do cantor, e o quintal em que ele criava cavalos. Dali, os visitantes são levados até o bar e à quadra de squash onde o rei teria se reunido com amigos para tocar e cantar antes de subir ao seu quarto pela última vez. Ao final, o tour leva à piscina e ao jardim de contemplação, lugar que hoje abriga o túmulo de Elvis e de seus pais.





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Museu Frida Kahlo

Cidade do México // México

Construída em 1904, a casa, localizada no bairro Coyoacán, na Cidade do México, foi a residência de Frida Kahlo, de seu nascimento, em 1907, até sua morte, em 1954. A construção, conhecida também como La Casa Azul é bastante espaçosa, por isso vale a pena reservar algum tempo para visitá-la: são dois andares, vários quartos, um estúdio, uma grande cozinha e uma sala de jantar. No térreo ficam alguns trabalhos da artista, principalmente as telas menores, enquanto os outros cômodos abrigam itens pessoais, lembranças e obras de Diego Rivera, marido de Frida. A cozinha e a sala de jantar exibem o estilo clássico mexicano, com tijolos amarelos brilhantes e chão azul, vasos de cerâmica, pratos, talheres e copos artesanais. No segundo andar, estão o quarto e o estúdio da pintora, ambos com mobiliário original. Em sua cama há um espartilho pintado, que ela vestia para suportar as dores em coluna danificada. Em outro canto, suas cinzas estão em exposição.





Casapueblo

Punta Ballena // Uruguai

Obra máxima do pintor, poeta e escultor uruguaio Carlos Páez Vilaró, a curiosa construção fica na deslumbrante Punta Ballena, pequena península ao lado de Punta del Este. Erguida ao longo de 36 anos com livre inspiração na arquitetura mediterrânea, foi a casa do artista até sua morte, em 2014. Hoje compreende um museu, hotel e restaurante. Mas não é preciso se hospedar lá ou reservar uma mesa para apreciar o local. Muitos visitantes vão até lá apenas para passar a tarde e tomar um drinque enquanto curtem a paisagem. Todos os dias, poucos minutos antes de o sol se pôr, caixas de som espalhadas pelo lugar reproduzem a voz de Vilaró declamando Ceremonia del Sol, um de seus poemas mais famosos. A imagem do astro “descendo” nas águas, o céu alaranjado e os versos apaixonados do artista fazem desta uma experiência inesquecível. 





Jardim Majorelle

Marrakech // Marrocos

Apaixonado por Marrakech, o pintor francês Jacques Majorelle decidiu que ergueria ali uma charmosa residência para chamar de sua. Com ajuda do arquiteto Paul Sinoir, começou a construção de uma casa em estilo art déco com influência moura e berbere e um jardim com plantas de várias partes do mundo, incluindo o Brasil. Um projeto tão belo quanto ousado, que permaneceu oculto até 1947, quando Majorelle abriu os jardins ao público para superar dificuldades financeiras e o transformou em um dos lugares mais visitados da cidade. Com a morte do artista, em 1962, a propriedade ficou abandonada e quase virou um hotel, até ser comprada pelo estilista Yves Saint Laurent e seu marido, Pierre Bergé. O casal reformou a casa e os jardins e viveu ali durante alguns anos. Em 2010, dois anos depois da morte de Saint Laurent, Pierre Bergé transformou o lugar na Fundação Jardim de Majorelle e doou a propriedade à Fundação Pierre Bergé – Yves Saint Laurent, que abriu o lugar para visitação. 





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Casa do Rio Vermelho

Salvador // Brasil

Na década de 1960, depois de vender os direitos do livro Gabriela, Cravo e Canela para os estúdios MGM, Jorge Amado comprou essa casa, no bairro Rio Vermelho, em Salvador, onde viveu boa parte de sua vida. Ao lado da esposa, a escritora Zélia Gattai, ele transformou o lugar em ponto de encontro de artistas, intelectuais e ativistas políticos. Passaram por ali gente como Glauber Rocha, Pablo Neruda, Tom Jobim, Dorival Caymmi, Sartre e Simone de Beauvoir. Foi lá também que Jorge Amado escreveu diversos livros, entre eles Dona Flor e Seus Dois Maridos e Quincas Berro D’Água e Zélia escreveu Casa do Rio Vermelho, que conta a história do casal quando viveu ali. Aberta para visitação, a casa mantém os ambientes e a decoração originais, com objetos que pertenceram ao casal. Em cada cômodo, projeções mostram diferentes épocas da vida dos artistas. 





Casa Museo José Saramago

Ilhas Canárias // Espanha 

Foi em Lanzarote, no arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, que o escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura, passou as duas últimas décadas da sua vida ao lado da esposa, Pilar del Río. Nove meses após seu falecimento, em junho de 2010, sua residência e sua biblioteca transformaram-se em um museu, aberto apenas entre 10h e 14h30, quando alguns membros da família retomam a rotina da residência, que ainda abriga a família do escritor. Durante o tour pelo lugar, conhecido também como “A Casa”, o visitante passa pelo escritório onde foi escrito o livro Ensaio Sobre A Cegueira e que ostenta uma cópia do Prêmio Nobel de Literatura na parede. Na cozinha, os guias do museu preparam um café para os visitantes, hábito mantido desde a época em que escritor passava horas do dia no local. O acervo abriga também obras que retratam personagens dos livros de Saramago, assinadas por artistas como Oscar Niemeyer e Carybé.





Casa Museu Salvador Dalí

Girona // Espanha

Em 1930 Salvador Dalí instalou-se em uma barraca de pescadores na Praia de Port Lligat, na cidade espanhola de Girona, atraído pela paisagem e pela calma do lugar. A partir dessa pequena habitação improvisada começou a construir sua casa, em um processo que durou mais de 40 anos. Isso talvez explique a sua arquitetura tão peculiar, com vários cômodos interligados que formam uma espécie de labirinto. Cada espaço, corredor e jardim está repleto  de obras que remetem ao inconsciente e ao subconsciente, a exemplo do urso cheio de joias em uma pequena sala e dos ovos instalados nos telhados. Dalí viveu ali até 1982, quando Gala, sua esposa, faleceu, e ele se mudou para o Castelo de Púbol, também em Girona. Nesse período, a casa foi muito pouco frequentada por seu proprietário e teve suas portas fechadas em 1989, com a morte do artista, sendo reaberta para o público 8 anos depois, em 1997.





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Casa de Monet

Giverny // França

Um dos principais nomes do impressionismo no mundo, Claude Monet (1840-1926) ficou famoso por retratar em suas telas o efeito da luz nos objetos e na natureza. Boa parte das pinturas tinha como tema a área externa de sua propriedade, em Giverny, vila a 75 quilômetros de Paris. Não à toa, é um dos lugares mais visitados pelos turistas que vão à França e querem conhecer de perto os cenários que se transformaram em tela. Diante da famosa casa, que tem as paredes rosadas e as janelas pintadas de verde, ele cultivou várias espécies de flores, árvores e plantas ornamentais, criando dois jardins: o da Normandia e o d’Água, inspiração para vários de seus trabalhos. Ali, Monet pintou mais de 270 telas em um intervalo de 20 anos, ilustrando quase sempre as paisagens que via em seu quintal. A famosa ponte japonesa, por exemplo, foi retratada 45 vezes, com diversas luzes e cenários naturais.