Seu cabelo está caindo muito na quarentena?

Seu cabelo está caindo muito na quarentena? Saiba que você não está sozinho. Chamamos uma especialista para responder algumas dúvidas sobre a queda anormal de cabelos nesse período

fotos Shutterstock e divulgação





Dra. Ana Lucia Junqueira

Quem já se deparou com vários fios de cabelos espalhados pela casa, no chuveiro e até dentro das roupas durante esses tempos de distanciamento social? A queda de cabelo, que atinge homens e mulheres, tem sido uma das maiores queixas aos dermatologistas durante a pandemia que estamos vivendo. Mas o que está levando isso a acontecer? Tem como tratar? Conversamos com a Dra. Ana Lúcia Junqueira, dermatologista especialista em tricologia do IBEMC (Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisa em Medicina Capilar) para esclarecer dúvidas sobre esse distúrbio.





Quais são os fatores e hábitos que podem levar a uma queda maior de cabelo durante a quarentena?

Esse período tem gerado um estresse excessivo nas pessoas, seja por medo de adoecer ou mesmo pelo isolamento social e pela insegurança financeira. Isso leva frequentemente a um tipo de queda de cabelo chamado eflúvio telógeno agudo, caracterizado por um distúrbio do ciclo capilar. Quando está sob estresse, o organismo produz uma maior quantidade do hormônio cortisol, que “bagunça“ o ciclo capilar. Isso faz com que os fios migrem precocemente para a fase de queda – e caiam. Além disso, os fatores estressores são gatilhos para pessoas que possuem predisposição genética a desenvolver uma doença autoimune do cabelo, como por exemplo a alopecia areata. Outros fatores, como alimentação desregrada e má qualidade de sono, também podem contribuir para desencadear queda de cabelo.





Existe algum tratamento que podemos fazer em casa?

Podemos utilizar métodos naturais para combater o estresse, como meditação e atividades físicas e cultivar uma rotina de sono equilibrada. Além disso, manter os cuidados básicos com o cabelo, como lavar o couro cabeludo diariamente ou em dias alternados, evitar banhos demorados com água muito quente, utilizar produtos adequados para seu tipo de cabelo e evitar usar em excesso secadores de cabelos e chapinhas.





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Existe mais de um tipo de queda? Como prevenir? 

Existem vários tipos de queda, causadas por diferentes distúrbios ou doenças. As duas mais comuns são o eflúvio telógeno e a alopecia areata. O eflúvio telógeno é uma alteração do ciclo capilar que pode ser desencadeada por distúrbios nutricionais, hormonais, estresse e infecções, entre outros. A melhor maneira de evitar que o eflúvio ocorra é prevenir os fatores desencadeantes, ou seja, manter uma alimentação regrada, ingerir suplementos vitamínicos quando necessário, somente realizar qualquer tipo de reposição hormonal quando prescrita por um médico experiente, e manter os cuidados diários com o couro cabeludo, como uma boa lavagem.

Já a alopecia areata é uma doença de origem autoimune, na qual o próprio corpo produz uma inflamação contra ele mesmo. O alvo dessa inflamação é o folículo piloso, fazendo com que esses fios se soltem do couro cabeludo prematuramente. O indivíduo com alopecia areata possui uma predisposição genética para desenvolver essa patologia, que pode ser às vezes evitada combatendo um dos seus principais gatilhos: o estresse.





Quando se preocupar e correr para o médico?

É considerado normal perdemos a média de 100 a 120 fios ao dia. Quando superar essa média, devemos ficar atentos. Mais importante ainda é observamos se nosso padrão de queda mudou – por exemplo, quando uma pessoa que costumava perder 50 fios ao dia passa a perder o dobro ou o triplo. Além da quantidade de fios que caem, se observamos sintomas no couro cabeludo, como coceira,sensibilidade, vermelhidão ou descamação, devemos procurar um médico dermatologista especialista em tricologia para avaliação do quadro.