Guia da corrida de rua

A corrida de rua não para de atrair novos adeptos no Brasil e no mundo. Mas, afinal, qual o apelo desse esporte e como fazer parte dos corredores urbanos? 

por Natália Leão, do Inspira e Transpira | fotos Shutterstock e divulgação





Em abril de 2020 o aplicativo Run Keeper registrou um aumento de 252% nos registros de atividades em todo o mundo e um crescimento de 44% nos usuários ativos mensais em comparação com o mesmo período do ano anterior. Ele também relatou um aumento de 62% globalmente de pessoas que saem para, no mínimo, uma corrida semanal. O estudo também revelou que, para a maioria das pessoas, melhorar a saúde física não era a única motivação para calçar o tênis: dois terços dos entrevistados disseram que correr ajudava a lidar melhor com as emoções frente a situações desafiadoras. O Strava, maior plataforma esportiva do mundo, com mais de 95 milhões de atletas, dos quais mais de 12 milhões de brasileiros, divulgou em seu relatório anual de dados que, entre outubro de 2020 e o mesmo mês de 2021, os brasileiros registraram em corridas a distância total de 175,1 milhões de km, percorrendo, em média, 5,6 km por corrida, em um tempo médio de 38 minutos. Há quem corra rápido e quem corra longe, quem corra para espairecer ou para se concentrar, para ganhar medalha ou sair do sedentarismo, os que correm em grupos e os solitários. 

Mas, afinal, por que a corrida de rua atrai tantas pessoas? Uma máxima do esporte é que a corrida é o esporte mais democrático que existe, já que não requer equipamentos (além de um tênis adequado), estrutura específica (como quadras), nem grandes investimentos financeiros (como uma academia, por exemplo). Na conta custo x benefício, ela é campeã: “A prática regular ajuda a fortalecer os ossos e a musculatura, colabora para sistemas motor e cardiorrespiratório mais eficientes, reduz o risco de hipertensão, diabetes e alterações por colesterol, favorece a perda de peso e melhora a qualidade do sono. E estudos recentes relacionam a corrida com uma menor incidência de alguns tipos de câncer”, diz Guilherme Dilda, médico do esporte e do exercício da Care Club, centro médico e de treinamento. Na melhor definição mente sã em corpo são, esse esporte ainda contribui para o manejo da ansiedade e do estresse.

Se você já experimentou correr meia hora na esteira, contando os minutos que passam no visor, e o mesmo tempo em um parque, curtindo o percurso, sabe que o fator “ar livre” tem grande impacto na percepção de esforço. Essa não é a única diferença entre a esteira e a rua. “Correr na rua possibilita experimentar uma série de variações, como de percursos planos, com aclives ou declives; de temperatura e clima, como calor, frio e chuva; de terrenos, como asfalto, terra e grama;  além daquela sensação boa de realizar uma atividade ao ar livre e na paisagem que desejar. Isso afasta a monotonia”, explica Raphael Agripino, treinador da RunFun, assessoria esportiva com mais de 2 mil alunos. Já a esteira pode ser uma aliada em dias extremamente quentes ou muito chuvosos, ou daqueles que estão se recuperando de alguma lesão e estão retomando a atividade da corrida. “Ela ajuda no controle e na constância de ritmo, absorve mais impacto do peso corporal, diminui a incidência de algum acidente correndo, além de poder nos deixar atentos à postura e à mecânica da corrida se a esteira estiver próxima a um espelho”, conclui Agripino.  





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Teoricamente, correr é tão simples quanto calçar um par de tênis e deixar o corpo fazer aquilo que conhece desde que evoluímos para a postura ereta. Mas será mesmo? “Quem começa a correr, passa a submeter o corpo a cargas mais altas de treinamento. Por isso é indispensável fazer um eletrocardiograma de repouso ou um ecocardiograma – dependendo da idade e de doenças preexistentes – e um teste ergométrico ou ergoespirométrico de esforço, além de uma avaliação laboratorial completa, com exames de sangue e de rotina, importantes para entender como está o funcionamento geral do organismo”, orienta Dilda. 

Com a liberação médica nas mãos é hora de treinar. Os profissionais são unânimes em dizer que você pode dar os primeiros passos sozinho, com distâncias curtas e treinos breves, alternando trote com corrida e compreendendo melhor sua percepção de esforço. Mas se você quer evoluir de forma segura e sustentada, sem se lesionar ou se desestimular, buscar uma assessoria pode ser o melhor caminho. “Primeiro a pessoa começa a correr usando aplicativos e planilhas de internet. Só quando decidem se desafiar a uma prova de 5 km ou 10 km é que procuram treinadores especializados”, explica Marcos Paulo Reis, fundador da MPR, uma das maiores assessorias esportivas do País. Nesses grupos você terá acesso a planilhas personalizadas, metas claras, estrutura em parques e provas, além de companhia para os treinos, que geralmente acontecem três vezes por semana. Para não se lesionar, uma rotina de fortalecimento, descanso adequado e progressão lenta nos treinos serão essenciais. “Todo mundo é capaz de correr, mas você tem que saber como começar, tem que descobrir seu jeito certo de correr, não tentar se encaixar no do seu amigo. Se você começar direito, aprender a ouvir e respeitar seu corpo, a corrida vai para a frente”, conclui Marcos Paulo. E aí, vai entrar para a turma do asfalto? 





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